segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Minimal e moderno



Nojo meu bem é recalque. É aquela mais profunda ferida cutucada,anti-séptico pra ver se limpa e se esfrega rápido pra ver a dor queimando mais e melhor. Nojo é um des-desejo,um desdenho que ninguém quer comprar porque ninguém quer ser sádico, mas existe sempre aquele momento cortante, entre o aqui e o não-aqui que te faz um pouco sórdido e pronto.Hora de limar as facas do desejo sujinho e se entregar pra vida travestida de ilusões numa cidade grande com neons e putas de esquina. E repúdio demais é culpa,é aquele dedinho podre insistindo em apontar pro outro de si mesmo. O outro que sou eu dilacerado,amarrado em cordas e chicotinho na mão. Pra encontrar motivos para escrever agora eu vim aqui no meu lixinho de sempre, calcinhas limpinhas penduradas no chuveiro,sangue coagulado e aquela vontade de arrancar a sombrancelha na gilete, masoquismos no outro lado do muro. Talvez porque ando vendo muita chatice por aí, muita falta do que dizer e aquele tédio que não passa. Deve ser porque vejo tanta coisa que não me diz respeito fazer parte de mim de uma maneira odiosa e até vulgar, aí eu fico naquela vontade de dizer tudo o que penso. Vontade que não passa ao dormir, nao acaba no final de uma ressaca de domingo. Esperava que eu pudesse dizer algo para quem possa ouvir a respeito das paixões de todo dia, que eu não usasse de maneira nenhuma palavras como cretino, manhã de sol e olhos de ressaca. Eu queria dizer algo tão livre que nada, nem música dos mutantes pudesse alcançar, eu queria dizer para as meninas do meu Brasil pararem de perseguir respostas para as aflições do coração e deixar o telefone descansar em paz. Queria dizer que seus olhos me dizem tanto, sem metáforas.Como não posso porque estou presa em algum ponto sem nó da palavra fica criptografado o que eu posso esperar, algo muito luminoso e moderno, minimal e gritante. Algo que funciona como um contato imediato, um astronauta libertado e meu peito de sal de fruta fervendo num copo d´água.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

video

música lenta em bailinho de 93

da série O bar no blog

O cara precisa de timming pra nao chifrar, pra saber o que ele quer e porque ele quer você, ali para aqueles momentos de paixao involuntária, sistole e diastole em velocidades de highway. Porque o chifre é algo até impessoal, nao diz respeito a você, o cara tá lá nem lembrando da sua existencia, não é problema seu até o momento que voce descobre, aí pronto, a dor mais antiga de todas, a famosa... Não existe muito jeito de prevenir, é algo que nao depende de você, e o cara pode gostar de você e ainda sim estar com outra, ou outras, é o velho cachorro abandonado e perdido no caos das histórias de romantismo platonico. E volta o cão arrependido... Mas é como eu disse, todo mundo chifra menos o meu. hahahahah

cheers!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Metonímia de causa pelo efeito.

Estive pensando sobre a máxima popular "amor de pica fica", esses carinhos de ordem machista que recebemos desde que nos conhecemos por gente, ou melhor, que nos conhecemos por mulheres. Fui fervorosa discutir esse assunto, carregando o terço e uma imagem de nossa Senhora pra me proteger na Cruzada moral que me prôpus. E a conclusão é factual e até óbvia,para nós nao existe sexo por sexo. Eu sei, posso me queimar aqui na minha própria fogueira das vaidades, mas vou correr o risco. Nunca é só o sexo, existe algo que anda do lado, e isso acontece até nos melhores one night stands de cada dia. Lá dentro existe uma tentativa intriseca de romantizar o ato, você pode escolher se quer protagonizar Uma linda mulher ou se quer dançar o Ultimo tango em Paris, voce, o Marlon Brando da noite e a caixinha de margarina. O desejo-fantasia é todinho seu e você minha amiga pode ser quem quiser nessa noite.E nao queimamos cartucho por queimar, é sempre uma grande e boa experiencia, e também nao sofremos de depressão pós sexo, talvez uma ligeira insegurança moral-cristã de querer ser a chapeuzinho vermelho boazinha, mas só. Nada de querer que o cara se transforme num pote de sorvete (obrigada ao cafa pela metáfora da pizza) Voce tá ali e sabe, nao é apenas sexo. E destesto abrir a caixa de pandora agora mas os homens sofrem muito mais pelo amor de pica (no caso de buceta) do que nós. Já cansei de ver muito homem por aí, cafajeste na honestidade mendigando o último sexo com aquela mulher "especial", que nunca sai da cabeça deles (as duas cabeças) no caso. Mulher nao se apaixona pela performance, mulher apenas se apaixona e sim, a gente também sabe que sexo é igual pizza, até quando é ruim é bom, então pra que querer colocar o menino de vocês num pedestal e achar que vamos adorá-lo e agradecer pelo prazer que nos proporcionou? E que por causa disso vamos sempre bater na porta de vocês pedindo bis? Parece que nao entenderam a piada até hoje... Mulher apenas se apaixona, pode ser em um minuto quando voce segurou aquele cigarro de um jeito... ou quando disse putaria engraçadinha no msn, ou simplesmente porque voce olhou daquele jeito que só voce sabe fazer, porque mulher simplesmente apaixona. Sexo é brinde, é aquela brincadeira boa e quando estamos apaixonadas queremos toda hora, de todas as formas, simplesmente porque voce naquele milésimo de segundo foi bonito na sua própria natureza. Não subestimem isso, e não subestimem a nossa natureza, de sermos,como já disse várias vezes, esses invólucros, simulacros de romantismo e ficçao açucaradas. Metalinguagens do Amor Original...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ilhas e coraçoes selvagens

Descubro que homens são ilhas. Nós que nademos naufragadas ou dispostas até eles. O movimento é nosso, a arte de botar os pés no desconhecido e a vontade de levar rabadas do mar, aquele azul meio acinzentado que fica antes das ondas baterem na areia. A ilha quieta, em silêncio, com seus próprios códigos de condicionamento, de existência, aquela força natural, quase que um sofrimento do universo para manter a ilha ali no lugar dela, parada. Nós, quando queremos entregamos nossos corpos para a noite, nós pedimos pra lua movimentar essa correnteza e nós chegamos até lá. Até eles. Pode até ser sem querer, mas estamos lá. Afins de descobrir tudo que vimos, primeiro de longe, depois embaraçadas em meio a cicatrizes de rios, prepotência de pedras que apertam e árvores que afrouxam. Pequenas folhas verdes que escapolem de dentro do coraçao da ilha querendo dizer que ali nasce, cresce, reproduz e morre. Simples o ciclo. E nós ali, naquele meio tão vital e para nós tão maldoso na maioria das vezes. Porque não é facil entender as mudanças, por mais vento ou redemoinho que sejamos. Estar lá é ter o sonho paradisiaco e naturalista de pertencer a ela, para sempre. Um universo paralelo alucinogeno e luminescente, fazer crescer comida, comer do chão fértil, alimentar os filhos. Por mais que o façam, por mais que nos deixem ser deles, ou que permaneçam ali, vai sempre existir um distanciamento,como se não fossemos feitos da mesma matéria, ou da mesma natureza. Muitas correntezas me afastaram de ilhas obscuras, outras me deixaram cair de boca na areia densa e por causa da secura de água não consegui prosseguir. Tenho visitado uma ilha agora, aberta, de longe vejo lá dentro, eu descubro cada pedaço que brota toda vez q volto e por sempre estar lá, já sou acolhida, e já faço parte do universo dela, e ela de vez em quando faz o universo sofrer para que eu volte sempre. E eu volto, sempre, e um dia, bom um dia... quem sabe... quem sabe o que vamos encontrar para que possamos condensar matérias distintas em interseçoes de nós mesmos.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Upside down

Começar pelo título é criar o destino da prosa, não importa os caminhos que eu tome, o script está selado, organizado em alguma teia de acontecimentos fugidios. A dona Hemorrágica anda fazendo terapia. No começo pareceu meio estúpida a idéia, e mais besta ainda vir aqui contar isso. No começo a resistência porque parecia que alguém vinha com O torniquete e me estancaria de vez. Pingar só frases adultas e sensatas, adequadinhas pra cada situação. Aí pronto, morri de tanto medo. Mas vejo que abrir a nossa panela de pressão para os outros é o dever moral mais árduo que existe. Não tem dor mais bem parida do que a de falar sobre si mesmo. Pegar aquela sujeira bem escondida debaixo de algum tapete aqui dentro e jogar para fora, ler com outros olhos, e por fim, lixo. E fazer isso numa cadeira quase invisível de tão surrada pela dor desse parto, por tantas pessoas que já passaram ali e fizeram o mesmo que eu faço toda semana. A discussao lhe parece fútil? Inútil? Talvez seja mesmo. Mas a hora chega pra todo mundo. Seja a terapia, a aula de ioga, o exercício de academia, o antidepressivo. Uma hora você vai escorregar, pedir arrego. Talvez porque conhecer nossa grandiosidade assusta, faz cair por terra aquele discurso somos-uma-gota-no-oceano. Um dia cada um encontra sua forma de rasgar o véu da cara, de assumir as próprias desgraças. De ser o centro, porque ser a periferia já cansou, ser o que todos imaginam já causou náuseas demais. Chega uma hora que todo mundo atravessa o muro para a própria realidade construída por nós mesmos. A vida vem categórica cobrar o débito, e quem paga somos nós. Posso estar sendo cretina mas vou-me embora, atravessar esse muro e dar com a cara no que eu fiz de mim. Sentada naquela pobre cadeira que não tem culpa de nada, pegar os lencinhos de papel conforme o combinado e chorar por mim. Chorar por ver o que fiz e remediar boas alternativas, sentir vontades verdadeiras,e se for piegas (sim é piegas) fazer como senhor sao francisco pregou nas montanhas verdes de filme noviça rebelde. Amar com eyes wide open. E virar o meu mundo upside down babe, controlar meu tempo de ir e vir por você.

quinta-feira, 23 de julho de 2009