terça-feira, 15 de julho de 2008

Verdade de bastidor

Tenha muito medo de frases como "olha, preciso te contar uma coisa". Olha, eu preciso ir no banheiro antes.




Barulho de pinga pinga da torneira da pia.

Shhhhhh silêncio.

Cortinas abertas e voce precisa pisar no palco para o primeiro ato. Você precisa tomar partido, voce precisa encarar a cena, e tudo parece tao de mentira, voce nao acredita que precisa passar por aquilo. E essa verdade te mói, voce precisa agradecer a platéia mas nao sabe como. E aquela luz te cega e voce pensa "isso nao pode estar acontecendo, deu branco, esqueci minhas falas". Parece que tiraram voce do seu corpo, e no lugar colocaram algodao para preencher o vazio. Isso, algodoes e varios fios. Isso, voce se torna marionete de pano, a cena nao importa mais, que seja triste ou feliz, nao depende de voce o fim. Voce dança um foxtrote "engraçadinho", entretêm a platéia. A luz fraqueja, seus olhos não estão mais ali. Não é você mais ali. Do seu lado talvez contracenando com você um boneco de ventriloquo -o vai e vem da cabeça- regurgitando sons, risadas, sacolejos e aquele olhar irônico. E aqueles algodoes te sufocando, fios de serpentina sendo jogados, um circo. Isso um circo. A peça está confusa demais, parece com um circo. A peça acaba, voce nao sabe como, os algodoes nao substituem o frio no estomago, nao ainda. E as cortinas se fecham. Você nao sabe como abrir os olhos, prefere ficar guardada, bem quieta no camarim.

ttrrrrrrrrrrrrrrr ranger da porta do banheiro, sai logo daí menina, enxuga esses olhos.

2 comentários:

Leandro disse...

As autênticas e envolventes estórias de Rafaella!

muito boas estórias cunhas!:)

Juka Nassar disse...

tenha mais medo desta:
querida, eu acho que estourou.
heheheh

mt bom! bj