sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Mais uma da Terezinha.

Buraco de grafite
O personagem não satisfez, a trama sempre passava sensação de deja vu e arrepio. Como uma música ruim que nos pega desapercebidos. E me disseram que eu devia bater em outras teclas, tecer outras fantasias, cumprir com o papel da criação decente, cordata e simples. Pensei em ser passageira de outro trem, pensei em não entrar na mesma sala de cinema, em não ir à mesma locadora. Tentei desviar do meu caminho, ver fotos de paisagem, procurei em tudo. Andei por cima, de cabeça erguida, prendendo em cada canto por onde passava bilhetes que me avisassem algo. Só que todos estão em branco. Tentei respirar, tentei pegar essa poesia que me saía das narinas. Que ilusão! Tentei chorar também, aos soluços. E o que consegui foi um buraco de grafite no papel. Mas um dia, minhas mãos compensam o que me falta e eu consigo. E um dia eu mostro ao que vim. Nem que seja para ver em um ponto, milhares de ocasiões. Nem que seja parar de recuar toda vez que me batem à porta. Nem que seja, parar de sentir medo de terminar essa poesia que sempre começamos. Nem que seja para lhe entregar meus braços, oferecer pipoca e lhe fazer companhia. Nem que seja o silêncio de penas cansadas. Por enquanto, em mim, guardados, todos os bilhetes, anotações, inícios e fins. Mas um dia, ah um dia! Eu subo na escada e acendo a luz da prosa.

Um comentário:

Rafaell Vazz disse...

muito bom seu blog Rafa, parabéns!