quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O rio que passa corrido, as vozes que vibram no ar.

E foi num passeio pelas ruas escassas de fumaça que escutou pela primeira vez aquela
Voz fininha lá no fundo. Dizia Terezinha, o amor chega estático paira por cima das coisas e assim vai, vai... pluminha indecente fumaça-como diria Manuel Bandeira - de vento frio de inverno daqueles que sai de dentro da boca, partículas mortas, velhas. Vai pra longe voz estridente, me deixa aqui com os dedos pregados no peito, peito que pula em compassos do rémi fá. Me deixa nessa melodia que eu sempre construo, que ele constrói por mim, então tá. Falo então agora do culpado por essa confusão que habita uns poros do corpo que agora não é meu, é dele. Ele nunca viu nada do Fellini, nunca parou acordado praquela tela P&B e fontana de trevi. Ele também não me viu chorar tanto com je ne regrette de rien. Então Voz, vai vou te chamar assim, Voz!. Varridos todos os amores (por debaixo do tapete, gosto de concluir assim, é tão desprezível, mas ao mesmo tempo tão engraçadinho) vou começar do zero? Então como li há muito tempo é o amor o contrário da vida e não a morte. Será? Ah Voz, me leva pra onde você fala, porque nem essa rua em que ninguém quase passa já me esconde mais. Se ele tivesse útero eu entrava pra dentro dele e ficava por lá. E escutava quentinha só quando ele cantasse hoppipolla pra mim, cantasse não, balbuciasse com a boca. E aí ele conversaria comigo e diria que me amaria muito e pra sempre. E que fazíamos parte da mesma carne, e os nossos sangues misturados, e um cordão umbilical bem forte e resistente nos unindo. Sou criança perto dele então. E ele é meu pai, minha mãe, e sai para lá Freud, você não cabe aqui. Vai se revirar em outro lugar. Ele me cuida desde a primeira vez que eu pedi então. Ele me dá o dicionário para decorar, o alimento pra eu comer, até que um dia eu tenho que ir porque já fiquei grande. Ah o amor. Esse bichinho da seda egoísta que me machuca inteira. Ah Voz! Não me deixe perdida como estou agora com esse regurgitar todo. Mas Terezinha descansa um pouco. Não pense tanto. Vai para casa agora, se vista com aquela camisola sua, preferida que eu sei, e durma, já não está na hora mais para devaneios.

4 comentários:

Jess Block disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jess Block disse...
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Jess Block disse...
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Jess Block disse...

"pluminha indecente fumaça"... que bonito isso. Às vezes ele é assim... calminho, macio, enche de branco as coisas. Nem parece o rubro de outrora, em tons de Almodovar.

Tá tudo em paz, mah baby?! Take care ;-)

Luvya so =*