domingo, 29 de novembro de 2009

balzaquiana em potencial

A pedidos

Talvez fosse pra soar positivo, mas não vai, embora a balança do bem e do mal esteja em equilíbrio até aqui. Sou dessas que você vai ver na rua todos os dias e talvez vai parar o carro pra pedir pra eu olhar para os lados, já aconteceu isso comigo aos 13 e isso nunca foi diferente, sou mansa, bicho manso, lerdo, gato preguiçoso que espreguiça, estrala os ossos mas nao sai do lugar. Das coisas que não fiz anotei todas na minha bucket list, ainda vou fazer antes que esse mundo caia na minha cabeça de vez. Nunca fiz a trilha inca, nunca morei na Europa, sou dessas que você vê todo dia, arrumando o cabelo para aparecer melhor em lugares públicos. Não fiz nada até agora que quebrasse algumas vidraças do preconceito ou da hipocrisia e certeza que não vou morrer cedo pra dar pauta para você achar que sou uma pessoa boa e Deus quis que eu ficasse perto dele. Não mesmo. Deus quis que eu ficasse planando aqui, observando tudo como é feito, opinando em tudo, teorizando tudo, uma chata universal. Coleciono muitos traumas, e olha sua pedagoga infame, aquela roupa de índiazinha norte-americana foi minha mãe que fez pra mim e num mundo perfeito eu dancei foi com ela e nao com esse tapa sexo pink que voce me obrigou a usar. Lembro de você, da sua silhueta gigante me coagindo a ser boazinha e gentil. Nunca me trataram bem por ser boazinha e gentil mas acho que a pedagoga não sabia disso. Mas num mundo perfeito... Posso divertir você com histórias bem contadas da minha vida até aqui mas isso aqui talvez nao seja pra ninguem ler, eu o faço por capricho e fetiche, assim como sempre fiz, aquela música dos enfeites e brochinhos e queixas queixas queixas rodando na minha cabeça por todos os caprichos e manhas e depressões e tentativas de desmaio pra minha mãe acudir essa dor que eu nao sei explicar, e que ninguém vê. Exprimi ela mais tarde amando todos com a dedicaçao de uma vaca parida, lambendo a cria e arrancando de cima o sujo de cada um. Acho que o que fiz de mim foi isso, amar. Cada um teve o que mereceu, pra cada um reservei essa pequena dose de veneno anti-monotonia (segredos de liquidificador contados em ouvidos, elevadores e camas alheias permeam esse universo lúdico) e fui o que só pra eles consegui mostrar, essa dor que é a dor de amar, me joguei no chão simulando desmaios e mostrei a todos eles essa dor que ninguém vê, comovi com histórias psicológicas e mostrei pra cada um o que sou. Nunca vou saber se eles perceberam ou se ficou por isso mesmo, aquela menina mimada e em cada gaveta ficou meus brincos e meus broches e meus enfeitinhos empoeirados. Agora estou aqui na sua frente tentando ser menos rodrigueana, tentando ocupar minha cabeça, tentando ganhar dinheiro, pra viver com você e nós dois arranharíamos paredes na loucura dividida, e faríamos filhos lindos e eu lamberia nossas crias e você minhas feridas. Acho que você até me levaria a Machu Pichu num pulo só, apenas pra ver eu sorrindo, essas gotinhas homeopáticas de felicidade e consciencia de que a vida é o melhor lugar para se estar. Mas babe, o assunto aqui nao é você, o que vc faria por mim eu desconfio porém percebo que entre uma linha e outra estou aqui, nesse texto tão tão chato. Cecília é um nome que não é só um nome entende? Cecília é meu mundo inteiro. Ela é meu ponto de dez miligramas que deixa minha balança equilibrada. Eu estou aqui ainda, com a língua molhada e lambendo, e a fonte nunca seca, minha língua é um mar inteiro salgado...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Minimal e moderno



Nojo meu bem é recalque. É aquela mais profunda ferida cutucada,anti-séptico pra ver se limpa e se esfrega rápido pra ver a dor queimando mais e melhor. Nojo é um des-desejo,um desdenho que ninguém quer comprar porque ninguém quer ser sádico, mas existe sempre aquele momento cortante, entre o aqui e o não-aqui que te faz um pouco sórdido e pronto.Hora de limar as facas do desejo sujinho e se entregar pra vida travestida de ilusões numa cidade grande com neons e putas de esquina. E repúdio demais é culpa,é aquele dedinho podre insistindo em apontar pro outro de si mesmo. O outro que sou eu dilacerado,amarrado em cordas e chicotinho na mão. Pra encontrar motivos para escrever agora eu vim aqui no meu lixinho de sempre, calcinhas limpinhas penduradas no chuveiro,sangue coagulado e aquela vontade de arrancar a sombrancelha na gilete, masoquismos no outro lado do muro. Talvez porque ando vendo muita chatice por aí, muita falta do que dizer e aquele tédio que não passa. Deve ser porque vejo tanta coisa que não me diz respeito fazer parte de mim de uma maneira odiosa e até vulgar, aí eu fico naquela vontade de dizer tudo o que penso. Vontade que não passa ao dormir, nao acaba no final de uma ressaca de domingo. Esperava que eu pudesse dizer algo para quem possa ouvir a respeito das paixões de todo dia, que eu não usasse de maneira nenhuma palavras como cretino, manhã de sol e olhos de ressaca. Eu queria dizer algo tão livre que nada, nem música dos mutantes pudesse alcançar, eu queria dizer para as meninas do meu Brasil pararem de perseguir respostas para as aflições do coração e deixar o telefone descansar em paz. Queria dizer que seus olhos me dizem tanto, sem metáforas.Como não posso porque estou presa em algum ponto sem nó da palavra fica criptografado o que eu posso esperar, algo muito luminoso e moderno, minimal e gritante. Algo que funciona como um contato imediato, um astronauta libertado e meu peito de sal de fruta fervendo num copo d´água.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

video

música lenta em bailinho de 93

da série O bar no blog

O cara precisa de timming pra nao chifrar, pra saber o que ele quer e porque ele quer você, ali para aqueles momentos de paixao involuntária, sistole e diastole em velocidades de highway. Porque o chifre é algo até impessoal, nao diz respeito a você, o cara tá lá nem lembrando da sua existencia, não é problema seu até o momento que voce descobre, aí pronto, a dor mais antiga de todas, a famosa... Não existe muito jeito de prevenir, é algo que nao depende de você, e o cara pode gostar de você e ainda sim estar com outra, ou outras, é o velho cachorro abandonado e perdido no caos das histórias de romantismo platonico. E volta o cão arrependido... Mas é como eu disse, todo mundo chifra menos o meu. hahahahah

cheers!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Metonímia de causa pelo efeito.

Estive pensando sobre a máxima popular "amor de pica fica", esses carinhos de ordem machista que recebemos desde que nos conhecemos por gente, ou melhor, que nos conhecemos por mulheres. Fui fervorosa discutir esse assunto, carregando o terço e uma imagem de nossa Senhora pra me proteger na Cruzada moral que me prôpus. E a conclusão é factual e até óbvia,para nós nao existe sexo por sexo. Eu sei, posso me queimar aqui na minha própria fogueira das vaidades, mas vou correr o risco. Nunca é só o sexo, existe algo que anda do lado, e isso acontece até nos melhores one night stands de cada dia. Lá dentro existe uma tentativa intriseca de romantizar o ato, você pode escolher se quer protagonizar Uma linda mulher ou se quer dançar o Ultimo tango em Paris, voce, o Marlon Brando da noite e a caixinha de margarina. O desejo-fantasia é todinho seu e você minha amiga pode ser quem quiser nessa noite.E nao queimamos cartucho por queimar, é sempre uma grande e boa experiencia, e também nao sofremos de depressão pós sexo, talvez uma ligeira insegurança moral-cristã de querer ser a chapeuzinho vermelho boazinha, mas só. Nada de querer que o cara se transforme num pote de sorvete (obrigada ao cafa pela metáfora da pizza) Voce tá ali e sabe, nao é apenas sexo. E destesto abrir a caixa de pandora agora mas os homens sofrem muito mais pelo amor de pica (no caso de buceta) do que nós. Já cansei de ver muito homem por aí, cafajeste na honestidade mendigando o último sexo com aquela mulher "especial", que nunca sai da cabeça deles (as duas cabeças) no caso. Mulher nao se apaixona pela performance, mulher apenas se apaixona e sim, a gente também sabe que sexo é igual pizza, até quando é ruim é bom, então pra que querer colocar o menino de vocês num pedestal e achar que vamos adorá-lo e agradecer pelo prazer que nos proporcionou? E que por causa disso vamos sempre bater na porta de vocês pedindo bis? Parece que nao entenderam a piada até hoje... Mulher apenas se apaixona, pode ser em um minuto quando voce segurou aquele cigarro de um jeito... ou quando disse putaria engraçadinha no msn, ou simplesmente porque voce olhou daquele jeito que só voce sabe fazer, porque mulher simplesmente apaixona. Sexo é brinde, é aquela brincadeira boa e quando estamos apaixonadas queremos toda hora, de todas as formas, simplesmente porque voce naquele milésimo de segundo foi bonito na sua própria natureza. Não subestimem isso, e não subestimem a nossa natureza, de sermos,como já disse várias vezes, esses invólucros, simulacros de romantismo e ficçao açucaradas. Metalinguagens do Amor Original...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ilhas e coraçoes selvagens

Descubro que homens são ilhas. Nós que nademos naufragadas ou dispostas até eles. O movimento é nosso, a arte de botar os pés no desconhecido e a vontade de levar rabadas do mar, aquele azul meio acinzentado que fica antes das ondas baterem na areia. A ilha quieta, em silêncio, com seus próprios códigos de condicionamento, de existência, aquela força natural, quase que um sofrimento do universo para manter a ilha ali no lugar dela, parada. Nós, quando queremos entregamos nossos corpos para a noite, nós pedimos pra lua movimentar essa correnteza e nós chegamos até lá. Até eles. Pode até ser sem querer, mas estamos lá. Afins de descobrir tudo que vimos, primeiro de longe, depois embaraçadas em meio a cicatrizes de rios, prepotência de pedras que apertam e árvores que afrouxam. Pequenas folhas verdes que escapolem de dentro do coraçao da ilha querendo dizer que ali nasce, cresce, reproduz e morre. Simples o ciclo. E nós ali, naquele meio tão vital e para nós tão maldoso na maioria das vezes. Porque não é facil entender as mudanças, por mais vento ou redemoinho que sejamos. Estar lá é ter o sonho paradisiaco e naturalista de pertencer a ela, para sempre. Um universo paralelo alucinogeno e luminescente, fazer crescer comida, comer do chão fértil, alimentar os filhos. Por mais que o façam, por mais que nos deixem ser deles, ou que permaneçam ali, vai sempre existir um distanciamento,como se não fossemos feitos da mesma matéria, ou da mesma natureza. Muitas correntezas me afastaram de ilhas obscuras, outras me deixaram cair de boca na areia densa e por causa da secura de água não consegui prosseguir. Tenho visitado uma ilha agora, aberta, de longe vejo lá dentro, eu descubro cada pedaço que brota toda vez q volto e por sempre estar lá, já sou acolhida, e já faço parte do universo dela, e ela de vez em quando faz o universo sofrer para que eu volte sempre. E eu volto, sempre, e um dia, bom um dia... quem sabe... quem sabe o que vamos encontrar para que possamos condensar matérias distintas em interseçoes de nós mesmos.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Upside down

Começar pelo título é criar o destino da prosa, não importa os caminhos que eu tome, o script está selado, organizado em alguma teia de acontecimentos fugidios. A dona Hemorrágica anda fazendo terapia. No começo pareceu meio estúpida a idéia, e mais besta ainda vir aqui contar isso. No começo a resistência porque parecia que alguém vinha com O torniquete e me estancaria de vez. Pingar só frases adultas e sensatas, adequadinhas pra cada situação. Aí pronto, morri de tanto medo. Mas vejo que abrir a nossa panela de pressão para os outros é o dever moral mais árduo que existe. Não tem dor mais bem parida do que a de falar sobre si mesmo. Pegar aquela sujeira bem escondida debaixo de algum tapete aqui dentro e jogar para fora, ler com outros olhos, e por fim, lixo. E fazer isso numa cadeira quase invisível de tão surrada pela dor desse parto, por tantas pessoas que já passaram ali e fizeram o mesmo que eu faço toda semana. A discussao lhe parece fútil? Inútil? Talvez seja mesmo. Mas a hora chega pra todo mundo. Seja a terapia, a aula de ioga, o exercício de academia, o antidepressivo. Uma hora você vai escorregar, pedir arrego. Talvez porque conhecer nossa grandiosidade assusta, faz cair por terra aquele discurso somos-uma-gota-no-oceano. Um dia cada um encontra sua forma de rasgar o véu da cara, de assumir as próprias desgraças. De ser o centro, porque ser a periferia já cansou, ser o que todos imaginam já causou náuseas demais. Chega uma hora que todo mundo atravessa o muro para a própria realidade construída por nós mesmos. A vida vem categórica cobrar o débito, e quem paga somos nós. Posso estar sendo cretina mas vou-me embora, atravessar esse muro e dar com a cara no que eu fiz de mim. Sentada naquela pobre cadeira que não tem culpa de nada, pegar os lencinhos de papel conforme o combinado e chorar por mim. Chorar por ver o que fiz e remediar boas alternativas, sentir vontades verdadeiras,e se for piegas (sim é piegas) fazer como senhor sao francisco pregou nas montanhas verdes de filme noviça rebelde. Amar com eyes wide open. E virar o meu mundo upside down babe, controlar meu tempo de ir e vir por você.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

sábado, 18 de julho de 2009

Da infância.

Gosto de açúcar
esfoliante no céu da boca
som forte de frustrações tardias
impressão fosse essa imagem bonita
do sol batendo no banco de madeira
doce de figo e requeijão
e vovó passando por mim
como a esse vento transitório por natureza

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Para nós que inventamos pessoas e livros.

(Essa é uma resposta lírica, sem licença à Renato Cabral)

E se até agora foram tropeços e desacertos, talvez exista um motivo para que tudo tenha dado errado até aqui. Deu errado só para chegar até aqui. Se fosse para trás dessas linhas, talvez, nesse espaço imaginário que traçamos com essa fome de escrever, de fazer essas bobeiras com palavras, talvez não teria valido tanto a pena. Foi só para chegar até aqui. Teve um tempo que vivi, e digo de trás pra frente, pra me fazer entender que o tempo nao existe, é imaginação secundária. Teve um tempo que eu vivi numa casa, eu já tinha feridas demais, culpas demais, e fui morar lá pra fugir dessas realidades que as pessoas constroém pra gente. E foi depois que me disseram que eu não sabia amar, que eu não era tão honesta ou gentil com os sentimentos dos outros, aí eu encontrei abrigo e poder de mudança, nessa casa tão grande e ao mesmo tempo tão acolhedora. E nao vivi sozinha como precisava ter sido feito, foi com alguém. E eu dizia que eu precisava de remédios, muitos remédios. E ele me dava. E meus olhos brilhavam igual naquele outro tempo,bom, um tempo bem distante. No tempo que você querido, estava do meu lado, você sabe qual o tempo.E ele não tinha essa casca grossa que eu tinha, e ele nao trazia nada demais. Mas era tão familiar e bonito. E aquele bonito nao dessa beleza que se vê na TV, era bonito de se olhar e só, nao precisava de adjetivos embora o sorriso fosse o meu reino. Mas eu morei nessa casa por muito tempo, escondida porque as pessoas de verdade, de carne e osso nao podiam me ver porque elas me machucavam muito, e ele ali sentado comigo, não. E eu te digo, a respeito dos dragões no paraíso, ele era um, só podia ser o dragão que eu lia sobre e nunca nunca mesmo eu quis encontrar. Não sei se era o meu dragão, ou o dragão de quem descobriu o dragão e escreveu sobre ele entende? Mas era ele. Palpável e que cuidava das minhas feridas. Aí chegou o dia, tão lindo o dia, deixa eu ver aqui na minha memória se consigo lembrar, se eu nao conseguir vou pedir opinião da imaginação, que ela é mais verossímel que a verdade purinha. Mas bem, então vamos lá. Era um dia cor de anil, daqueles bem azuis, um azul que não existe no vocabulário normal, mas que existe. E foi nesse dia fresco e azulanil que eu me curei. Estou livre pensei, posso sair correndo e topar de novo toda essa realidade mórbida, que você deixou pra mim, que nada disso vai me fazer mal mais. Mas ali por dentro onde os fios das roupas se entrelaçam, e por onde corações ainda batem ele se despediu, e é muito desconsolador despedir de quem nos ajuda, mas ele se despediu, com secura e frieza dos que sabem que não vão existir por muito tempo, não nesse mundo que eu e você conhecemos muito bem, porque vivemos plantados nele a vida inteira. Exceto talvez quando tínhamos treze e o mundo era esse espaço entre o seu braço e o meu, correndo as folhas do livro libertador e libertino, que falava de beijos como as pessoas falam de crimes. E agora sinto na obrigação de falar a você o que é viver aqui de novo. Porque estou sentida pelo o que te aconteceu, e ouvi falar de você po aí, em lugares inventados, por pessoas inventadas, mas preciso dizer que existe algo que liga um tempo no outro, e deixa o espaço mais vivo. Digo então que se exista alguma verdade, essa que nos faz sair debaixo desse manto protetor, quase intrauterino e que atrapalha as vistas, porque você sabe querido, bebês nao enxergam direito. Mas se existe alguma verdade, essa que é um xerox da vontade mórbida de ser verdade, essa que escorrega aos nossos sentidos ainda muito baixos e voláteis, eu te digo agora, na tentativa de te pegar no colo e te levar para esse lugar que você pode ser resguardado de todo mal, exigir rigidez no final, exigir certezas de glória e aqueles sintomas de perda que nos fazem chegar mais perto da morte , fazer isso é se perder da grande beleza de nao ser mais. De nao ser mais amor. Porque te digo, com mãos maternais, que o não-ser amor é menos livre do que eu imaginava, também dói, e ja te disse quando eu lia Cléo e Daniel do seu lado, quando tínhamos treze anos, e nos enfiávamos por dentro das cobertas, e eu lia tão bonito do seu lado, “é o amor o contrário da morte, nao a vida, nao qualquer vida”, e os meus olhos brilhavam, você se lembra? Porque tínhamos uma certeza fosssilizada, um cordão tão forte que ligava a gente, como se você fosse meu filho e eu podia dizer coisas doces e você entendia, e como se eu fosse sua irmã, que tentava ser diferente para poder mostrar aos outros quem eu era, mas você se parecia demais comigo. Em algum momento você já não estava ali debaixo das cobertas lendo a vida comigo. E eu nunca mais amei como amei quando tinha 13 anos. E alguem ama?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Uma nova Era pra nós. (nós que nos amávamos tanto)

Vital e ao mesmo tempo muito doloroso escrever. É assim que eu sinto. Uma boca seca, uma saliva mal engolida, e um monte de frases curtas querendo provar algo aqui. Não quero intimidar ninguém nem afrontar. Mas eu preciso falar. É sobre esse assunto que toda mulher adora falar, principalmente sentadas num bar com cervejas e cigarros a postos. Sim, de vocês. E generalizo meu próprio universo. Algumas mulheres fartas vão comigo, outras cambetas, outras estrelas dançantes, uma corja toda, como Cabírias que seguem a música que passa, ou a realidade como condição.Mas quero mesmo falar. Sei que não devo generalizar, não por motivos óbvios, mas por motivos mais excusos, como o de conhecer dez anos de mentalidades e personalidades e idades e algumas broxadas. Mas vou mesmo assim, porque estou cansada de ser rotulada desde os treze. Mas a impressão que fica, eu como geração sex and the city, é que os homens estão meio perdidos na vala. Não estão sabendo ouvir o samba direito, não estão sabendo conversar, ou olhar pra nós, jogar direito essas brincadeiras de desejo, não estão sabendo manter o que se propõe quando admitem estar curtindo,se amedrontam muito fácil, perdem as boas expectativas, não sabem comer direito e nem limpar a boca depois. E por fim, antes do arroto de coca cola, não sabem dar o fora. Que respeito eu tenho por um cara que sabe olhar bem na minha cara e dizer, olha, nao dá mais, nao tô afim. E nesse momento não lembrar de neuroses ou armas letais. Amor não termina civilizadamente, já dizia o cronista Xico Sá, o amor termina é mesmo na porrada, não numa conversa dentro do carro, ou por post it, ou por email e afins. Não tá afim? Tudo bem, dê a cara a tapa então. E os butecos ficam cheios de mulheres embriagadas, e fudidas na vida porque vocês não deram a chance para a porrada. O tapa na cara, porta na cara. E vocês nos enchem de culpa coagulada com meias verdades e atitudes disfarçadas. Vocês estão mortos de medo do monstro que acham que criaram, dessas costelas geneticamente modificadas por anos e anos de comportamentos vis e ocultos, vocês nao viram a revolução, passaram por ela meio cegos e amortecidos, e agora nao vêem que não precisamos mais de vocês, que existem mais palavras no nosso vocabulário do que existirão nos de vocês em anos. Que palavras como feminilidade, ou feminismo, ou ternura, ou resignação não nos importa mais. Não é mais o casamento que nos salva, ou a dependência afetiva de vocês. Temos Bergman desde os anos 70, temos a Europa e intercâmbios e temos livros e filmes. O que morre em nós de platônico costuma ser a nossa redenção,um romantismo meio escrachado, o romantismo de transformar a realidade em ficção, e perfurar invólucros de dor e amor. É isso, existe uma mulher meio Neo, the chosen one por aí, limitada nessa matrix de merda que vocês nos puseram, pra gente não enxergar uma outra (nova) realidade. E nos despistam com novas invenções e teorias sarcásticas, e mais e mais rótulos. Mas existem algumas mulheres, e são para essas essa crônica. Não precisam mais disfarçar, a gente já sabe de tudo. A gente conhece todos os segredos torpes de conquista e sexo barato. E realmente, se vocês nao começarem a ouvir esse samba direito, aprender tudo desde o começo , como se a civilizaçao tivesse rompido códigos agora! se vocês começarem a ver atrás da cortina de fumaça que vocês mesmo nos envolveram, e começar tudo de novo... ah se vocês começassem tudo de novo, ia ser tão mas tão libertador.

Rafaella Biasi, coitadinha. Só porque ficou um fim de semana inteiro vendo cenas de um casamento escreveu isso aí, mas desconfia disso tudo já faz tempo, tanto tempo que nem se lembra mais, mas sabe que nao pertence a esse lugar, a matrix.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

quando a cena é vc e eu num banco do outro lado da rua, esperando um onibus de meia hora de viagem, e voce me olha bem aqui onde moram as borboletas e diz ja sinto saudades, eu nao duvido, eu acredito.

porque você nem sabe, mas quando estou com você ja estou sentindo sua falta. E olha que é como água, que molha e seca ao mesmo tempo. Que festeja e anuncia a despedida.


Para mim e para a Bárbara.

A crônica da mulher nitroglicerina, capítulo I

Estive pensando sobre a última crônica, e percebi que assuntos como aquele tem raízes profundas, com idade de mais de cem anos e milhares de livros lidos, filmes vistos, terapias e aulas de ioga. Então resolvi transformá-la em capítulos, partes a serem seguidas pelas leitoras (e leitores) como uma maneira codificada de mostrar carinho com os dentes, amor unilateral e uma boa massa de tesão explícito. Tesão pela eterna forma de dizer o que pensamos sem prestar atenção a quem falamos. A arte de dizer para digerir. Espero que eu e você obtenhamos sucesso para fazer dessa jornada macunaímica mais que um milhao de estrelas.

Capítulo I
A crônica da mulher nitroglicerina.

Não é a combinação que a faz ser assim, explosiva, mas a maneira como se decompõe tão rapidamente. Não importa muito com quem ela age ou reage, mas no fim essa matéria bonita de mente ágil e coração anil vai explodir, seja em orgasmos múltiplos ou em choros em banheiros públicos feitos de falta de dignidade e papéis manchados de batom. O ambiente é sempre um lugar público, para ela ser bem vista e bem quista. Está sempre com um olhar Maria Monforte, aquele bem negro e estático, que prende você em poesias mimeografadas, daquelas rapidinhas "Estilhaço nao me procure mais nao relembre cada um sofre pra seu lado". Esses olhos assim combinados as mãos que falam mais que a boca,e a memória. (Ah, essa criança vil, que brinca de colecionar insetos vivos presos por tarrachinhas em cartolinas)Ela anda como se quisesse dizer que esteve lá, em milhares de camas e férias no litoral, que sabe como é ter aquela toalha jogada, o fracasso. São muitas as coisas que ela entende. Já viu o Coliseu de perto e já rasgou fotos na tentativa besta de se perder do passado, já disse, essa memória é vil pra ela, a memória não a prende ao mundo, ela mais do que todas entende as histórias de efemeridade, de não deixar pistas pra ninguém, de simplesmente explodir um dia em milhares de estrelas, ela vai pegar e vai entender mais isso, vai viver mais uma vez,vai se rasgar e se jogar fora mais algumas. E ela faz isso sempre nesse ambiente de mil rostos a ve-la e a senti-la. Ela sai para as madrugadas como quem sai para a vida em outro país, sem carteira de identidade, sem essa prova que ela existe e que ja faz tempo isso. Ela sai feita para o primeiro que a ver, que a tocar, que entender os pontos da poesia que ela guarda nos olhos, aquelas... rapidinhas. E ela vai querer todos os seus elementos, pau mãos e língua.Tudo encaixadinho na matéria densa dela. E bum. Se foi, já era, explodiu, pra poder voltar sempre que ela se deixar levar e ser, por milésimos de segundo,apenas ela.

Rafaella Biasi, que adoraria ser uma dessas aí mas nao é, e conhece algumas (uma em especial, obrigada a ela) e as admira por toda essa liberdade metafísica, de prazeres absolutos e culpas cristãs, sempre.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

As vertigens necessárias: um ato de amor e redenção

Pra repetir em voz alta no espelho do banheiro.

Isso não é uma apologia arbitrária aos alívios imediatos, encarregados de tirar um peso momentâneo dos ombros, fazendo você acreditar que aquilo -o agora ali- é a felicidade da terra prometida. E depois que passa, você se enxerga pó acreditando que existe uma distância ínfima entre o real e o abstrato, entre a ficçao e a realidade. E eu nao falo só de sexo,drogas e rock n roll.Porque sempre existem os pequenos prazeres-amelie-poulain. O meu eu sei qual é,se misturado ao alcool e ao sexo então... Mas o meu eu sei qual é. Esse exílio de mim mesma é meu porto, do jeito mais literal que um porto pode ser, fedido, batendo água por cima do lodo dos barcos, olhos de ressaca em frente as ilusões partidas e David Bowie. Quando a prosa me falta eu enxergo muito pouco de mim, eu quase nao sobrevivo. Mas talvez, bem talvez, é essa dose de realidade que já levou muitos a loucura, que fez poetas deixarem essas heranças de amor-e-ódio pra trás. Matéria prima inexata de que o rock é feito, e não morre nunca. Deve ser dessa fôrma-cinema italiano e fontana de trevi-que são feitas as mesmas poesias malditas, na rua as três da manhã. E foi por essas frestas que me desligam da realidade vez ou outra que me vi na pista de dança com você imaginando que éramos Johnny e Babe do meu filme de criança. E é por essas e outras que quando nascem estrelas dentro de apartamentos, melhor nao afugentá-las com teorias mórbidas e meias verdades,nao é porque não se acreditam nelas que elas não estão ali,quando eu falar de você vai ser sol por cima de edredon, mas se for de mim, me deixa ser assim, esse alívio terno e maldito de sempre, quando essa corda tensionar demais e explodir, tenha certeza,vai ser sempre pro meu lado, é sempre em mim a culpa dos atos que me danam inteira, e sempre aqui, nesse pequeno prazer. Eu sei qual é o meu, você sabe qual é o seu? O que te faz exilar em portos de vertigem e transparência?

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Do desejo - I ( Hilda Hilst )

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.

da série, sou brega sim e daí?

um dos jeitos mais legais de se dizer te amo em dialogos de filme
quem lembra desse? classico de 93 com robert redford lindissimo ainda q caído e demi moore gatissima!e o fulaninho marido dela q agora esqueci o nome, que fez aquele filme com a courtney love no elenco. rá

Diana: Have I ever told you I love you?
David: No.
Diana: I do.
David: Still?
Diana: Always.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Que livro eu sou!

Que lindooo! tbm sou poesia!! e romance realista! amei amei! se nao bastasse um, sou três.

"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade
"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

"O vampiro de Curitiba", de Dalton Trevisan

Descolado, objetivo e realista. Cult. Você deve se sentir mais à vontade longe de shoppings, da TV e de qualquer coisa que grite “cultura de massa”. Nada de meias palavras: a elas, você prefere o silêncio. Você não vê o mundo através de lentes cor-de-rosa, muito pelo contrário. Procura ver o mundo como ele é, entendê-lo, senti-lo. Às vezes, bate até aquele sentimento de exclusão, ou de solidão. Mas é o preço que se paga por ser um pouco "marginal". Não se preocupe, pois você atrai a admiração de pessoas como você: modernas no melhor sentido da palavra.
Em "O vampiro de Curitiba" (1965), Nelsinho protagoniza uma variedade de contos, nos quais ele busca satisfazer sua obsessão sexual vagando pelas ruas de Curitiba - paralelamente, esta cidade de contrastes se revela ao leitor. A temática e a forma já denunciam: este não é um livro para qualquer um. Tem que ter cabeça aberta para enfrentar a linguagem nua e crua de Trevisan, que é reverenciado pelo leitor capaz de driblar velhos ranços burgueses.

"Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis

Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
"Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.

misturinha boa eu né? um clássico da modernidade como diria a Branca hahahahah
amei!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Everything is illuminated.

Algumas histórias nascem de impressões antigas, como um baú na casa da avó que você abre esperando encontrar algumas respostas, um lenço meio poído ou amarelado. Pedaços do tempo que nao é nosso. Procurando nessa cidade submersa, abrindo gavetas, fotografias. Esses signos que perpetuam na nossa cabeça, na nossa semiótica de luz e sombra. Pegar com a mão esse amor-feto e criar ele, só isso que vejo seus olhos me pedirem. E eu pensando em tantos outros que nao deram certo, que ficaram debaixo, coberto pelas águas, agora eu entendo porque tem muitos com medo do mergulho. De achar esses vestígios que são daqui de dentro, dessa memória coletiva própria do universo dos apaixonados, que ilumina quarteirões, essas casas, quartos, camas, uma cidade inteira, um mundo todo. E eu me lembro do diálogo waking life, talvez nao sejamos reais mesmo, somos essa sombra que vai ficar para trás, submersa. Tantas heranças deixaremos, meu amor. Tantas foram deixadas. Tristãos e Isoldas a povoar esse imaginário de amor-romântico. Tantas cidades-atlântidas escondidas em caixas de madeira em cima de armários. Tantas alianças enterradas esperando pelo acaso. In case. No caso de alguem vier a procura pra entender. para iluminar-se de poeira. Esse amor que está guardado no coletivo universal. Esse que faz acreditarmos em destino e coisas de além-mar, além-céu. Everything is going to be illuminated. Most of the times, trought times.

In case...
In case...
In case someone should come searching one day.
So they would have something to find.
No, it does not exist for you.
You exist for it.
You have come because it exists.
She says the ring is not here because of us.
We are here because of the ring.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A enciclopédia das des-venturas românticas.

Para as animadas e indefesas mocinhas da noite uberlandense


É bem claro que minhas teorias sao fidelizadas por fatos que realmente ocorreram em algumas situaçoes da noite uberlandense. Mais especificamente nas imediaçoes centro-bar pra sempre Bahamas e Goma cultura em movimento. Acho que estava mesmo na hora de abrir um pocket show, construír uma enciclopédia de desventuras em série por esse universo tao conhecido de leitores assíduos desse site aqui. Esperar pelo final de semana é quase que esperar pelo coelho apressado de Alice,correr atrás dele sem carona, sem hora pra voltar, sem destino próprio. E nao se preocupe, o rock vai estar lá. De tennis all star, fumando um cigarro, falando de leituras marginais e strokes.Ah, vai dizer que você já nao passou pela frente do goma, naquela vigésima ediçao daquela mesma festa e pensou, fuck! manda uma cindy lauper que tudo há de ficar bem. E estão todos lá sempre. Comprando a heineken nossa de cada dia, brincando de alex delarge nas paredes dos becos, um universo caótico e blade runneriano, que voce até pensa, "meu deus, nao vou sobreviver a isso hoje". Então por isso, para que você consiga sim sobreviver, talvez lembrar no outro dia, e quem sabe até arrumar uma carona de volta, pra realidade eu preparei especialmente essa enciclopédia pra você, sim especialmente para você, que acabou de encontrar o rock dentro da casa de você mesma e conseguiu pegar o carro do seu pai pra chegar até aqui. Atrás dos coelhos de relógios malucos esperando pela festa começar. Primeiro, a noite só vai começar se você deixar que ela comece. Não, nada de se fazer de difcil, nao estamos aqui pra isso. Let it be querida. Let it bleed. E nao se anime muito, ele nao vai te pagar o drink. Ajusta a blusa e continue a conversa. Ele com certeza ja leu algumas pérolas, saiba quem é Bukowski, pelo menos, saiba. Isso! você está indo bem. Laranja mecânica?? Beleza, boa garota, acertou na mosca. Continue, acenda um cigarro devagarzinho, nao na na na naoo, nada de falar sobre seu disco predileto dos Beatles, nada disso. Principalmente se for o branco. Fica na sua. Continue falando coisas non-sense e bonitinhas. Nada de tentar qualquer coisa filosófica, nao cola. Basta você saber que Strokes é a banda mais legal do mundo, se ele curtir muito um radiohead, nao desanime, por mais que pareça ele nao vai cortar os pulsos. Isso, falar de musica? Então tá! Oitenta por cento dos garotos ali, desses subalternos da rainha de copas sao rockers, tem uma banda e falam muito de musica. Então vai fundo. Uma dica, os anos noventa estão em alta. Pise em ovos ao se tratar do movimento grunge e pronto. Mais um gole de cerveja. Mais outro. Procure ter olho clinico pra identificar alcoolatras em potencial, pervertidos de carteirinha e anti-cafajestes. Não se esqueça, você está numa des-ventura romântica, o que tiver que dar errado vai dar, nao se preocupe. Se ele for esses três citados, você foi premiada. Mas você vai sobreviver, e rir muito ainda. Mantenha a calma. Já conseguiu encontrar pessoas que conhece? Nesse meio tempo? Não ainda né? Mas vai cumprimentando todos que o conhecerem, no próximo final de semana vao estar todos aí de novo, e voce terá feito amigos,gatos Cheshires, chapeleiros malucos e um monte mesmo de lagarta colorida. Pronto você é cool menina,nao duvido que seja uma graça, está afim de encher a cara e de flertar, nao tem mal nenhum nisso. E encontrou um cara meio esquisito, super bacana, que cita uns nomes estranhos de bandas estranhas mas voce ficou bem afim né? Ele também né? Foi bom? Aposto que sim. E o próximo final de semana? Ficou afim de novo né querida? Parece acido lisérgico nao é? Então, voce vai ter que atravessar o espelho agora, é. Desculpa, mas vai. Larga a fruta agora! Um segredo, ele vai sempre estar no mesmo lugar,é só voce atravessar o espelho again, e rezar para que a outra Alice nao tenha ficado com ele e sim com o gato maluco,amigo dele. Se voce realmente deixar que o ambiente te comova, voce nao irá se importar. Porque a noite ali, ja disse, bladerunneriana (todos os momentos irao se perder no tempo, como lagrimas na chuva)e final de semana tem mais, do mesmo. E lembre-se, mantenha a calma, o coraçao aberto e sangrando que a noite vai te ferrar, mas vai ser gostoso, prometo.

Rafaella Biasi, frequentadora assidua do país das des-maravilhas uberlandenses, onde o nao é próximo do sim que quer dizer wheatever.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Efeito-estilingue

A negação é própria da morte. Tudo bem que esse mundo feito de cotonetes para limpar os ouvidos ou fitas para curar as feridas existe, e está aí bem na sua frente,fazendo careta e contando bobagens, cinismos. Isso eu nunca duvidei. Mas o que realmente eu ando duvidando é se toda vez que eu me lançar, nao vai ser eu a voar.Eu fico realmente pensando se nao me coloquei em outro papel, um pouco mais vil. De sempre voltar pro mesmo lugar. Odeio voce Kundera. Essa brincadeira de fazer tudo tao factual e objetivo. Essa brincadeira de eterno retorno, essas coisas sórdidas que só gentinha como você sabe falar. Como tantos outros. E todo mundo sai replicando essa mesma porcaria por aí. Em filmes paradigmas-de-liberdade-e-prisão-momentâneas. E aquele a abrir minhas veias, minhas veias nao. Minto. Para abrir esse simulacro de dor que eu crio,esse invólucro de tristeza armazenado. E que existe só para isso aqui, pra eu cuspir aqui sempre para dentro desse mundo que é essa box com opçoes de postagem. Alguns diriam, escreve e cala a boca, outros diriam, vai trepar Hemorrágica. Tem uns que inclusive me servem de torniquete. Mas a verdade é que eu sucumbo sempre a mim mesma. I can´t escape myself, é toda vez. Pode até parecer ingenuidade minha, mas eu sempre volto pra mim, dentro dessa menina que só tem 13 anos de idade, e acha que vai escrever um livro e o de fato o faz, com personagens românticos e caóticos que fumam maconha e a colocam pra dormir_tudo influência de Christiane F._ a propósito, uma coisa pra te dizer viu! Esse filme ensina mesmo é se apaixonar em David Bowie. Pra sempre e só. Mas isso eu deixo para os papos de boteco de toda santa vez, para os meus. Para vocês eu deixo... hum... espero deixar uma gota de insatisfação. De incômodo. Porque se você pensar bem, o mundo é sim menos livre do que a gente pensa. E se na sua frente você sentir que vai acontecer a mesma cena daquele mesmo filminho torpe, e você agir assim, num efeito-estilingue, e se conformar, dê a cara a tapa e me conte. Mas se você conseguir em exato três segundos me provar que aquele casal de personagens se encontrão como haviam prometido depois de seis meses, entao meus caros, vêm comigo, porque Paris vai ser uma festa! Welcome to my life s/a.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

boa sorte!

Ontem uma joaninha pousou em mim, num momento meio bossa nova rock n roll, conversivel anos 60 e echarpe Audrey Hepburn. Ontem tudo fez diferença.Amanha preciso de um pensamento bom, só isso.


Boa sorte Rafaella.

domingo, 5 de abril de 2009


A história de amor mais bonita contada em uma noite. E esse vermelho todo penduradinho nesses talos. Esperando pra voar. E me vendo abrir essa janela. Pra voce eu abro, toda vez. É só pedir ou aparecer.

segunda-feira, 30 de março de 2009

O declínio irremediável: a metáfora da puta afetiva.




Você já se viu tão sozinha entre quatro paredes, tão confusa que passou a imaginar que aquele quarto minúsculo em que você estava era o seu mundo inteiro? E você ficou imaginando cenas para sua vida medíocre, você na sua solidão ácida sendo comida por animais famintos? E aquele segredo sujo, que você guardou dentro do seu armário debaixo das calcinhas, pra ninguém saber, que agora cheira a naftalina e você não sabe o que fazer com esse cheiro amargo na sua cabeça? E aquela mentira tonta que você contou? Ela não te deixa ainda mais sozinha? E você cria esse mundinho falso dentro do seu quartinho de merda, com essas colagens do Pequeno Príncipe sobre a cama, essa coisa toda tão, far from you. Raposas que cativam? Não é para você. Você se esvai na cena, ficam só os quadrinhos do seu lado.E olha que isso foi o melhor de você. Agora você não é mais nada. Só esse alter ego que você cria para sair mais bonita na rua. Para os homens te olharem melhor, e te lamberem melhor e te comerem melhor. Mas você sabe, bonito mesmo em bordel moulin rouge são os quadros de Lautrec e só. Sua putinha afetiva, pega logo seu coração e o recorta em milhares de notas de um real, e vende. Assim você talvez ganhe mais. Mas não. Você não consegue né? Você gosta de estar numa bandeja. Você é aquele pedaço de carne no ensopado que eles comem porque viram ali, bem na frente, naufragando nesse caldo, tempero feito por alguém que não gosta de pimenta, ou salsinha. Você é aquele pedaço de carne frouxa que eles dão pros doentes no hospital. Eles se alimentam do que te falta, você não entende que não é Geni? Você entende que não salva ninguém? Puta de respeito é aquela que sabe o quanto pesa, aquela que entende suas 21 míseras gramas. Você não. Não é essa sua onda. Sua onda é outra. Sua onda é ser pózinho para eles. Seu barato é esse, barbitúrico para insones e depressivos. Assume sua vontade. A de ser mais. Que seja qualquer essa adição. Mais puta ou mais santa. Mas se assume. Fica nessa de ficar em cima do muro, se fazendo de vítima da vida e caindo no conto do vigário, e preparando maldadezinhas arbitrárias, assistindo filme marquês de Sade e usando esses pesos na buceta pra ver o quanto ela agüenta de você. É aí que você se contradiz. Fica pelos cantos sofrendo, maquiagem da noite anterior porque eles não te quiseram e fica apertando as pernas uma na outra na tentativa imbecil de abafar esse tesão contido. Esse tesão debaixo do tapete, igual aquela sujeira que você acha que não precisa limpar. É aí que você cai. É aí que te digo, você não é nada. A puta afetiva ela quer tudo, ela quer pegar seu coração com a palma bem aberta e apertar até sangrar, ela quer poema minimalista feito de batom no espelho do banheiro, ela quer a noite deserta nas entranhas dela, bebendo a vodka gelada de va gar zinho. E te esperando. Ela vai te cobrar querido, vai cobrar atenção, vai falar de você para as amigas, vai dar trabalho. Você, meu rapaz, não vai precisar de muito pra conquistá-la. Nem do telefone dela você vai precisar pegar. Ela já te deu tudo no primeiro olhar, a infeliz. É a primeira vez que não defendo artimanhas de guerra femininas. Dessa vez estou do seu lado, sim você mesmo sentado nessa mesa sozinho, de bar, é você está olhando pra própria. Ela está como o diabo gosta, e o coração apertado esperando que você afrouxe essas amarras, silícios propositais. E você vai fazer, é questão de... ih. Já era? Já te tragou né? Que pena, boa sorte amanha, quando acordar do lado dela. E você querida puta afetiva ainda não entendeu?Você ainda não entende sua solidão?

terça-feira, 24 de março de 2009

Respostas líricas

Adoro te encantar... adoro quando vc me lê e se reconhece, eu realmente adoro quando isso faz com que voce responde, caneta na mao, coraçao aberto e pulsando a gente, e a saudade ah a saudade das minhas meninas da cidade grande agora.

as the world falls down
David Bowie. Eu sei porque ela gostava tanto de David Bowie, meio apaixonada. É que aquele jeito magrelo, pernas compridas, com o pênis bem saliente e apertado no meio do colant, sexy sem saber dançar direito, parecia meu pai. Parecia sua fantasia do meu pai, o que ela queria que ele fosse, quando queria que ele se vestisse de lilás, por exemplo. Um cara magrelo, que não sabe dançar, mas, andrógeno, louco gafanhoto se pintando no espelho, de colant, ou terno amarelo berrante, estalando dedos, chegando bem pertinho da boca do Mick Jagger. Mas que beijava de língua as mulheres nos clipes, como a chinesinha delicada, de coque, com carinha de menina, com quem ela poderia se identificar, estirada na areia da praia.
E essa brincadeira de personagens fazia ela suspirar, envolta num neon maquiagem anos 80... (e faz até hoje...).

Who are you, after all?




Se não tivéssemos confiado tanto em tantos talvez fossêmos uma carne mais viva, menos som de mosca rondando virilhas, vermes saindo por buraquinhos obsoletos. Se tivéssemos dito sim pra tudo na vida? Arrepios só de pensar em toda lagarta me perguntando quem sou eu, e pra que sou eu, e por que sou eu. E se for tudo verdade aquilo que eu nego, tentando procurar em tantas jornadas, usando esses passados como bussolas ambulantes dentro da minha cabeça. Mas não tem como acelerar o filme e escutar ao nascer “happiness only real when shared”. Não tem. Ainda preciso desse sal na língua, preciso desses caminhos to nowhere, enfrentando homens of nowhere. E teve aquela vez que a luz ficava piscando até apagar, e eu fico bem parada imóvel no escuro, sem reconhecer nenhum objeto ou nada que acenda minha memória, eu fico imóvel, num pânico, não existe nome ainda para esse pânico que eu sinto. Escuta o barulho, é o tique da bussola que carrego aqui dentro, da minha cabeça, ela me diz pra ir pra fora, agora. Me visto Cabíria e vou, porque se eu ficar muito tempo aqui algo explode, essa veia fininha que faz já algum tempo q vai sendo cerrada, limada, e antes ficasse moldada, mas ta irritadiça, tá pra beira da morte. Visto Cabíria e saio. As mãos tremulas por ter encontrado o nada do escuro, não sabem o que tocar, a língua que já provou o sal, esse que vem da terra, que vem debaixo, também não sabe como provar ou o que provar ainda. Mas consegui, saí. Vou dançando esse trompete, essas caras rindo pra mim, e todas elas falando da doçura que escorre dos meus poros, e eu acredito. Acredito em todas elas, acredito em quadriláteros de romantismo, acredito que não posso faltar a isso, que não devo deixar que me sacaneiem deliberadamente, filhotes de marques de Sade sugando meus miolos com crueldades em falso, bizarrices de filme B na minha tela. Eu acredito em todos eles. Que me guiam sem querer só para festejar eu ali estrela dançante em meio ao caos, carregando minha memória pra lá e pra cá, numa dança vertiginosa. E pegaram na minha mão dessa última vez, eu fiquei criança, me colocaram sentada num sofá macio, cheio de almofadas engraçadas e eu ouvi aquela trilha que me faz chorar sempre de um cinema paradiso libertário e me ensinaram que chorar limpa mais esse meu sangue que escorre, porque ainda há sal dentro de mim. Obrigada, por fim.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Eu como você




Um banquete. É disso que eu preciso. Como ir à cozinha e pegar os talheres, contar os convidados, os pratos, dobrar guardanapos daquele jeito que parece uma tulipa. Festejar cada vela acesa. Muito vinho, porque você sabe, né babe! Nós e nossas orgias, onde a gente coloca o de mais obsceno e pueril quando sentamos à mesa, nossa mente. Vale até discutir os valores judaico cristãos da monogamia nos tempos de amor-líquido. E você descalça, porque babe, não te imagino de outro jeito. É descalça sempre. Talvez por ter te lido o suficiente. Você é aquela bailarina de Wim Wenders , aquela mesma, que fica por cima de todos nós, só mostrando, pernas, cabelos, olhos. Você que faz com que caiamos toda vez nem sentimos o tombo, e você lá em cima no seu trapézio de brincar de desejo, boca sem nada, olhos com aquele cintilante que eu só vi em Sean Young, quando ela acendia o cigarro, e questionava porque de tantas perguntas dúbias se o que importa são as vias, os fatos. E na minha cabeça você fuma aquele cigarro delicadamente, e os olhos não embaçam pela fumaça, cintilam. Sou a favor de pegar um pedaço seu e colar em algum lugar que eu possa tocar, ou senão fazer como eu faço com a cereja do bolo, mastigo e engulo de uma vez só.

domingo, 15 de março de 2009

In blank


Coloco no papel o que a tinta me nega. Ou talvez seja algo bem mais freudiano e obsoleto, e talvez seja melhor nem pensar a respeito. Talvez todos aqueles nós soltos pela vida um dia se entrelaçam, e tudo, tudo mesmo tenha sentido. Talvez me subestimaram demais, se achavam que eu nao conseguiria sentir raiva, que meu sangue escorresse só para fora todo mundo sabe mas tem vezes que ele escorre para dentro, nesse ritmo torto e vicioso, corre para os olhos, e esses me denunciam. Olhos de raiva. Talvez, bem talvez acharam que as coisas são muito desimportantes para serem construídas fio a fio. Como uma colcha de retalhos. Voce nunca pensou que um dia vai contar sua história? Voce nem sequer pensou que vai ter que chegar as vias de fato, e se entregar para o que você é? Quer sangue suor e lágrimas manchando essas casinhas, com janelinhas quadradas, quem você vai colocar dormir aí embaixo? Quem você vai cobrir a noite? Quem você vai manter longe do frio? Memória remendada é a coisa mais triste que tem. Você pega a memória fragilzinha lá, distorce ela toda, amassa, corta, rasga, fica aquele furo, um vácuo. E depois quer o que? Tentar costurar?? Dói sabia? Hoje, e para o resto dos seus dias, como você vai fazer com esse souvenir medíocre que guardou só pra lembrar? Que hoje nao vale nada. Porque a memória babe, a memória é desejo de tornar as coisas findas em coisas eternas. E a sua, desculpa, mas a sua aqui dentro, nao vale nada. Voce nao merece morar nas minhas caixas. Não existe espaço palpável ou nao que voce possa preencher, alias você é aquele lírio cambeta, que caiu sem querer no meu colo, eu ficava olhando pro rio, pensando que o transparente do rio, que sua lucidez é propria do amor. E te joguei lá dentro para te ver mais lírio. Mas você virou um reflexo triste dentro do rio. Sua memória na minha cabeça é só uma sombra. Um eco. Fade away away away away, bem para longe.

quarta-feira, 11 de março de 2009




Labirinto-desejo
É aquela velha história... vai ser só uma mísera frutinha, uma mísera maçazinha, um encantamento de nada, uma coisa imperceptível, quase transparente, um invólucro de desejo. Aquela baba que quase ninguem vê, aquela que fica no canto da boca, uma vontade que não passa, e depois vem Liv Tyler com gracinhas de Bertollucci e aquela língua com não sei quantos fios nervosos tem aquela língua na superficie do espelho. Orgasmos de bilheteria eu chamaria isso. Minha saliva espessa, aqueles gemidos baixinhos, de cachorro pedindo atenção pro dono, um olhar de viés, que corta bem no fio do tecido-desejo. Acender o cigarro na hora bem certa e mostrar carinho com os dentes, boca vestida de vermelho. A leve crueldade dos que tem uma única vez. A certeza da pequena morte. Aquele caminho escasso, andarilhos cambaleantes -vinhos baratos- até chegar ao idílio dos meros mortais. O último bem dizer, o último suspiro e “que perfume é esse”? A brincadeira é sempre a mesma, e eu que sou criança vou brincar sempre que quiserem. Muitas luzinhas piscantes daqui até ali, nos seus olhos, cílios mergulhados em goles de absinto. Pisca verde pra mim, resignado nessa tentativa de entender a brincadeira inventada? Atrapalha o meu perfume alta costura que cochichei meio boba no seu ouvido. É aquela velha brincadeira... Uma lembrança do gosto da frutinha, só isso que você precisa. Uma coisa de nada, um quase nao sei o quê and the world falls down.

quarta-feira, 4 de março de 2009

So far so close

Não chegue perto. Não ultrapasse essa linha imaginária patética que nos aparta, us apart. I´m your girl next door, nao entende? Um muro que separa só. Eu tomo banho as 16 da tarde, deixo meus cabelos secarem na varanda e espero a hora que você vem jogar bola com os amigos. Sou essa garota atrás do muro. Escuto as gargalhadas, escuto seu hálito ofegante, escuto por onde a bola passa. E se ela cair do lado de cá? Nao me peça pra pegar. Eu sou essa menina que ainda cheira a colônia boticário, que pede pra mãe passar o pão na frigideira com manteiga. Papéis de carta, rabiscos e coraçoezinhos de caneta bic. Eu sou essa menina magra, rabo de olho, fita k7 e primeiro sutiã. Não pule o muro. Stay right where you are menino. Esses olhos, ah eu os imagino, pq eu vi eles de outro jeito. Não sei como sao realmente. Eu vi eles passarem pelas grades da garagem. Mas os conheço. Voce inteiro, eu sei como voce é. Aqui dentro da minha cabeça entende? Voce fica meio, meio disforme com toda essa colônia boticário. Eu sei porque de noite esse muro esquenta tanto tanto que nem fisica quantica para explicar. Metade do meu pé na sua casa.´Mas eu lembro, que sei demais sobre você, aqui na minha cabeça, menino com olhos mergulhados em bondade. E de alguma forma, fique por aí, que eu fico por aqui. As 16 eu tomo meu banho, sento na varanda e vou escutar seu hálito de novo. Fresco. Deixa meu coraçao nas linhas do meu caderno de português? Um dia ainda te escrevo um poema, aviaozinho por cima do muro. Aí você vai saber. Quem sabe... por enquanto, so far so close.

terça-feira, 3 de março de 2009

a mais simples das cartas de amor.

Sexta-feira, a lua tava tão linda, tão linda, fina, de casquinha, com uma estrela somente, muito nítida e brilhante no lado superior direito. Constatar a lua, sua especificidade, sua beleza era uma vontade de dividir isso. É matéria romântica, é frase decoradinha pra falar pra alguém, pra apontar o céu e se sentir feliz de ter alguém do lado com quem se pode falar de lua e estrela.

Na verdade, Rafaella, somos duas românticas, duas fucking românticas... Porque..., o que é mesmo o romantismo? Pensei sobre isso e acho que o romantismo é falar da coisa em si, tratar da coisa em si. Cherish. É tornear num torno. Bezuntar pessoas, acontecimentos de uma vontade em si. O espelho do espelho. É pegar memórias e incomodá-las todo dia, cutucando-as no hábito de lembrá-las. E é isso. Quando estamos aqui escrevendo, falando de coqueiros e carnavais, mexendo e remexendo nessa nossa alegoria, estamos praticando romantismo. Você, nesses seus polígonos de romantismo, eu, tentando transformar arestas num corpo oval...


e foi pra mim!!
te amo....

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Primeiro dia do ano do resto de nossas vidas.



Quando eu estourei aquele champagne, veneno que pipocou na minha língua, e eu não quis mais engolir. Quando eu ajoelhei e tentei fazer as pazes com os relógios do mundo, eu não podia esperar que meu ano ainda não estivesse no fim. Esse mês imitou todos os dezembros de esperanças tardias. Esse mês não existiu, foi um lapso da ordem divina. Ou profana. Um dia larguei rolhas de vinho espalhadas debaixo do píer, pensando que voltaria lá e as rolhas por algum motivo em descanso me esperando. Escárnio de filme mal feito e mal pago com Paul Newman velho no elenco. Só pode. Buscando por pistas que me levam até você. Ou simplesmente esperando que algo aconteça “Do amor só tive sombra... Na verdade, a sombra de uma sombra, como o reflexo de um lírio em um lago não parado, mas agitado pela ondulação da água. E assim o reflexo fica deformado...” E então não é. O amor. Devo ter mesmo em algum lugar soltado moedas da sorte, ou o ônibus parou depressa demais, veio após cinco minutos. E você simplesmente passou. E eu não vi. Celine me faz muita falta nessas horas, pra eu lembrar que afinal, não somos reais, certo? We´re stardust. E a velha no leito de morte a lamentar pela juventude. Não importa, cínico ou não, as coisas vão andar com os mesmos pés. E o mesmo desperdício. Fiquei com muito medo ontem, depois de ouvir isso. Existe então certa beleza no medo. Que te faz ficar atento. Que abre seus olhos mergulhados nesse caldo de engano, que abre bem os olhos, gotinhas de LSD imaginário para ver melhor. Eu que sou tão distraída para o mundo, e tão dentro do meu estomago ainda. É claro que eu perderia a oportunidade. Não tenho mais olhos para me guiar. Preciso de algo mais massa vermelha e resistente. E dois passos para detrás do meu corpo. Para o LSD funcionar melhor. Relógios a postos. O ano começa. Arredio, e eu pego o ano pelas orelhas e digo dessa vez você vai funcionar! Vai parar de ser arisco comigo, me obedece menino. Mal nasceu e já quer mandar? Você tem bem menos que 365 para começar a me festejar.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Segunda infância.

“Quando a criança era criança, não tinha hábitos, sentava-se de pernas cruzadas, e saía a correr”
Foi engraçadinho meu jeito de correr. Digo assim, porque eu saí tropeçando nas coisas e segurei firme pra não cair de bunda. Como é simples se desapegar de uma idéia. Tive que aprender a andar de novo. Como foi simples tirar as mãozinhas da cadeira e chegar até o sofá. Sem ninguém pra olhar, nem mamãe estava lá. O melhor de mim, e só eu que vi. Eu saí de dentro de você, e aquele cordão imaginário me persegue. Não falo de mamãe, é mais grave que isso. Sim, de você mesmo. E quando eu saio na rua hoje, meio abobalhada ainda pelos olhares dos outros, meio cabreira com todos os (poucos) drinks que eu tomo. Tão imoral não ver graça na infância. É quase um pecado irremediável. Depois as pessoas me olham torto, e cochicham, como se eu tivesse cortando a garganta de alguém, com navalha cega. Tão insuportável ter que dissolver em ácido, matéria improvável, esse cordão que me enrola ainda. Digo assim, que se vocês não sabem coisa mais difícil que tem é desfazer nós de desengano e saudade. Coisa mais difícil que tem é matar essa cordão-cobra que me aperta e tem vida. Às vezes até sufoca ao ponto de eu soltar um grito esquelético de força. Só dor. A vida me olha como um samurai indo pra guerra. Agradecendo por ainda existir, e entregando os pontos se tiver que ser. Let it be em todo caso. E todos os dias, se eu tiver que recordar a película inteira, eu vou sempre me lembrar, do dia que eu alcancei aquele sofá lá de casa. Eu fui sozinha, nem mamãe estava lá. Todos meus pequenos acertos eu vivi in- tensamente. In por que é meu jeito de dizer que foi lá dentro. Aonde essa palma que segura meu coração não alcança.

Para Maíra Selva.

Minha cabeça subjuga meus sentidos e eu nem me importo. Insiste em falar aqui “você tem certeza que não há mais nada de importante mesmo pra ser dito?” O que seria de nós sem as frivolidades. Como se eu tivesse algo assim, tão importante... Enfim, é tudo máscara por cima da pele por cima de porra nenhuma. Blade runner e carlton vermelho, talvez os únicos que me entendem, que nos entendem. Nós nunca passamos por um carnaval triste. Essa é mesmo a palavra, não cabe outra. Nunca mesmo. E hoje eu brindo a você, que vai me levar de novo para aquele lugar lindo, e a gente vai fazer o que sempre fez. Você sabe... envolve biquíni, mesa, Alanis Morrisete, ducha fria. Num lugar onde não existe ressaca, nem moral. Estou te esperando, pra gente não se esquecer que viver vale mais... vale mais que coqueiros daquela rua, aquela casa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Orgulho!



Tá. Já faz tempo que eu vi esse vídeo, mas eles nem sabem o tanto que me comoveu. É lindo.

parabens pessoas queridas. parabens.
Depois me questionavam... mas nem escrever você não escreve mais! What is fucking happening to you honey? don´t you see me crying?? queria pão? queria circo? então toma! Não. Requinte. Palavra do dia. Ou melhor palavras. Bored of antecipation.

A primeira parte.

Não é verdade que o mundo se divide entre os que acordam de bom humor e os que não. Um coração aflito também bate no peito dos que não comem muito açúcar. Quando essa roda brilhante em que eu entro todo dia parar de funcionar talvez eu vá entender qual o significado das relações interpessoais. Palavrinha cretina essa, in- ter-pes-soais. Prefiro essa, coexistir, acho tão bonita. Num abismo da falta de palavras o eu e o você coexistem. Pronto. É mais ou menos por aí. E quando o abismo se fecha? E quando entre o eu e o você não existe mais nada? Bom, isso está me cheirando a metafísica, e sinceramente não é por aí. Vou ser mais direta pra que você possa saber de tudo que eu estou tentando dizer. O mundo não se divide entre pessoas que acordam sorrindo ou pessoas que acordam xingando. Na verdade o mundo se divide entre pessoas que são dramáticas e as que não são e ponto. Foi péssima a conclusão, sim eu sei que foi. Mas não vou contrariar certas leis. Isso não. Eu que sou dramática de nascença. Quando eu nasci, ah quando eu nasci. Eu tive que abrir meus olhinhos e ver o mundo embaçado, meu estômago embrulhou e não funcionou, foi assim que eu morri. Mamãe me pegou no colo, e eu estava roxinha, lábios roxos, pezinhos tortos, mas ela me sacudiu tanto, tanto que eu voltei. Assim são os dramáticos por natureza. Temos que morrer pra poder querer a vida. Quem não é se contenta com uns tapas na bunda, um choro esgarçado e um paninho pra limpar toda a sujeira. E pronto. Estamos no mesmo barco. Até ao sentar na roda brilhante e esperar... Eu morro toda vez. Mas é toda santa vez. E você que sempre foi todos que estiveram comigo, você que leva a vida na maciota. Ah tá, entendam bem, não posso ser imparcial, sou dramática porra. E depois disso aqui você que levou os tapas na bunda vai querer se envolver com as dramaqueens que encontrar por aí. Mas voltando, você sim, que leva a vida por levar, que sublima muitos sofrimentos, que não se deixa enganar, que é muito correto com suas próprias definições e apatias. Você que não sabe prescrever seus próprios sintomas. E nós que teorizamos demais, que vemos com mil olhos, que sentimos depois de morrer e que vivemos como se fossemos parar de respirar a cada minuto, num abismo bem largo de trinta centímetros de distância entre eu e você, nesse pequeno, minúsculo espaço, coexistimos.. Por milésimos de segundo. Toda santa vez. Mas é toda vez.

Anticoagulante

É fato. Vou ser bem honesta com isso aqui. O manifesto acabou comigo. Fiquei pequena, fragilizada diante do Schwartz e ele sabe disso, a man with balls, e ele também sabe disso. Bem feito pra mim. Freqüentei aula de ioga, fiz meditação, respirei igual bebê e tive que nascer de novo. E morrer antes pra estar aqui. Quem me enterrou num quintal por dois meses (obrigada pela metáfora, agora eu sei pra que ela foi servir!) soube bem como me tirar de lá. Não, não achem vocês que esse é um depoimento de experiência quase morte, porque não é. E falo para vocês, não tem nada lá. É um nada tão grande que não vale uma mísera filosofia a respeito. Lembro que pedi para que me deixassem em paz, para eu morrer em paz, mas não! Foram lá, cavaram com as unhas e me levantaram. Agora eu fico aqui nessa respiração de uma cadência só. Profunda, numerada. Essa montanha de livro que não vou ler, de novo. O dinheiro que vou continuar não ganhando, a ilusão próspera. As conversas regadas a vinho. Aos dons abortados e os mesmos malditos traumas. Tentando cometer os mesmos erros, de nada vale a vida pós morte se não for por essa chance, e gritar num escuro dentro de mim, sou eu que estou aqui, está entendendo?? Sou eu que vou sempre imprimir aqui as mesmas coisas, posso falar de você, dos homens patéticos, do seu sofrimento. Mas é sempre de mim que eu falo. E não importa quantas vezes voltarei aqui. Sempre que eu nascer, vai ser isso aqui, os mesmos bons erros. Os que não cometo, agradeço ao Ludovico, abriu meus olhos com tesoura de ponta e fez miséria com minha cabeça. Só assim. Vou viver de novo e isso me causa uma preguiça macunaímica. Esperar para virar estrela. Por isso respiro esse ar todo. De novo. E, essas gotinhas... drop drop again.

Leiam em seguida

http://www.cultblog.com.br/schwartz03_11_08.html

O manifesto hemorrágico

Anti-manifesto

Lembro de todas, multifaces das nossas entranhas pequenininhas, buraquinhos ocos, apelando pro subversivo e simpático da vida, pelo colateral e o que tensiona essa corda aí. Até fazer barulho. E quando você some no meio daquela gente toda, quando a cena não satisfaz seu ego e você sai broxado pra rua, pra vida de gato de rua, essa feita de garrafas atiradas nas paredes, essa feita de lágrimas engolidas com cevada. Quantos otários pra trocar essa lâmpada que insiste em acender na nossa cabeça? Quantos otários para subir as escadas da prosa? Quantos otários pra quantas paranóias? Eu já não sei. Porque foram os dias em brancas nuvens, que a gente tinha nosso gradiente e nossa própria mixed tape. Agora tudo fica por fora, por entre esse mau cheiro de testosterona e porra. Esse gosto embaçado na garganta, de ressaca. Eu te amos de puta, arrotos de coca-cola, como diria Tom Zé. Em cima de um palco, por detrás de portas sem maçaneta, bichos escrotos saem pelos esgotos, teorias mendigas tão fartas de tudo. Não cabe mais nada nas entrelinhas, está tudo gordo, cheio de uma intensidade que não é palpável, nem liquida é. Parece que não se lê mais Roberto Freire. Nem Marcelo Rubens Paiva, ninguém sabe de nada. Meus heróis morrem de infarto, todos gordos, veias entupidas. Não há mais teoria. Todo mundo procurando num passado noir algum futuro tecnicolor. Ilusões de beira de estrada, mancas. All this crap. Essa colagem contemporânea enfiada narinas abaixo. Ninguém entende mais nada. O cinema não tem mais importância, a vida é simples, e ninguém sacou isso ainda. E você, escuta esse samba direito rapaz, porque hoje faltam caras que trazem as pedras no peito e que mudam de calçada. Mentira.
I´m back babe!