sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Primeiro dia do ano do resto de nossas vidas.



Quando eu estourei aquele champagne, veneno que pipocou na minha língua, e eu não quis mais engolir. Quando eu ajoelhei e tentei fazer as pazes com os relógios do mundo, eu não podia esperar que meu ano ainda não estivesse no fim. Esse mês imitou todos os dezembros de esperanças tardias. Esse mês não existiu, foi um lapso da ordem divina. Ou profana. Um dia larguei rolhas de vinho espalhadas debaixo do píer, pensando que voltaria lá e as rolhas por algum motivo em descanso me esperando. Escárnio de filme mal feito e mal pago com Paul Newman velho no elenco. Só pode. Buscando por pistas que me levam até você. Ou simplesmente esperando que algo aconteça “Do amor só tive sombra... Na verdade, a sombra de uma sombra, como o reflexo de um lírio em um lago não parado, mas agitado pela ondulação da água. E assim o reflexo fica deformado...” E então não é. O amor. Devo ter mesmo em algum lugar soltado moedas da sorte, ou o ônibus parou depressa demais, veio após cinco minutos. E você simplesmente passou. E eu não vi. Celine me faz muita falta nessas horas, pra eu lembrar que afinal, não somos reais, certo? We´re stardust. E a velha no leito de morte a lamentar pela juventude. Não importa, cínico ou não, as coisas vão andar com os mesmos pés. E o mesmo desperdício. Fiquei com muito medo ontem, depois de ouvir isso. Existe então certa beleza no medo. Que te faz ficar atento. Que abre seus olhos mergulhados nesse caldo de engano, que abre bem os olhos, gotinhas de LSD imaginário para ver melhor. Eu que sou tão distraída para o mundo, e tão dentro do meu estomago ainda. É claro que eu perderia a oportunidade. Não tenho mais olhos para me guiar. Preciso de algo mais massa vermelha e resistente. E dois passos para detrás do meu corpo. Para o LSD funcionar melhor. Relógios a postos. O ano começa. Arredio, e eu pego o ano pelas orelhas e digo dessa vez você vai funcionar! Vai parar de ser arisco comigo, me obedece menino. Mal nasceu e já quer mandar? Você tem bem menos que 365 para começar a me festejar.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Segunda infância.

“Quando a criança era criança, não tinha hábitos, sentava-se de pernas cruzadas, e saía a correr”
Foi engraçadinho meu jeito de correr. Digo assim, porque eu saí tropeçando nas coisas e segurei firme pra não cair de bunda. Como é simples se desapegar de uma idéia. Tive que aprender a andar de novo. Como foi simples tirar as mãozinhas da cadeira e chegar até o sofá. Sem ninguém pra olhar, nem mamãe estava lá. O melhor de mim, e só eu que vi. Eu saí de dentro de você, e aquele cordão imaginário me persegue. Não falo de mamãe, é mais grave que isso. Sim, de você mesmo. E quando eu saio na rua hoje, meio abobalhada ainda pelos olhares dos outros, meio cabreira com todos os (poucos) drinks que eu tomo. Tão imoral não ver graça na infância. É quase um pecado irremediável. Depois as pessoas me olham torto, e cochicham, como se eu tivesse cortando a garganta de alguém, com navalha cega. Tão insuportável ter que dissolver em ácido, matéria improvável, esse cordão que me enrola ainda. Digo assim, que se vocês não sabem coisa mais difícil que tem é desfazer nós de desengano e saudade. Coisa mais difícil que tem é matar essa cordão-cobra que me aperta e tem vida. Às vezes até sufoca ao ponto de eu soltar um grito esquelético de força. Só dor. A vida me olha como um samurai indo pra guerra. Agradecendo por ainda existir, e entregando os pontos se tiver que ser. Let it be em todo caso. E todos os dias, se eu tiver que recordar a película inteira, eu vou sempre me lembrar, do dia que eu alcancei aquele sofá lá de casa. Eu fui sozinha, nem mamãe estava lá. Todos meus pequenos acertos eu vivi in- tensamente. In por que é meu jeito de dizer que foi lá dentro. Aonde essa palma que segura meu coração não alcança.

Para Maíra Selva.

Minha cabeça subjuga meus sentidos e eu nem me importo. Insiste em falar aqui “você tem certeza que não há mais nada de importante mesmo pra ser dito?” O que seria de nós sem as frivolidades. Como se eu tivesse algo assim, tão importante... Enfim, é tudo máscara por cima da pele por cima de porra nenhuma. Blade runner e carlton vermelho, talvez os únicos que me entendem, que nos entendem. Nós nunca passamos por um carnaval triste. Essa é mesmo a palavra, não cabe outra. Nunca mesmo. E hoje eu brindo a você, que vai me levar de novo para aquele lugar lindo, e a gente vai fazer o que sempre fez. Você sabe... envolve biquíni, mesa, Alanis Morrisete, ducha fria. Num lugar onde não existe ressaca, nem moral. Estou te esperando, pra gente não se esquecer que viver vale mais... vale mais que coqueiros daquela rua, aquela casa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Orgulho!



Tá. Já faz tempo que eu vi esse vídeo, mas eles nem sabem o tanto que me comoveu. É lindo.

parabens pessoas queridas. parabens.
Depois me questionavam... mas nem escrever você não escreve mais! What is fucking happening to you honey? don´t you see me crying?? queria pão? queria circo? então toma! Não. Requinte. Palavra do dia. Ou melhor palavras. Bored of antecipation.

A primeira parte.

Não é verdade que o mundo se divide entre os que acordam de bom humor e os que não. Um coração aflito também bate no peito dos que não comem muito açúcar. Quando essa roda brilhante em que eu entro todo dia parar de funcionar talvez eu vá entender qual o significado das relações interpessoais. Palavrinha cretina essa, in- ter-pes-soais. Prefiro essa, coexistir, acho tão bonita. Num abismo da falta de palavras o eu e o você coexistem. Pronto. É mais ou menos por aí. E quando o abismo se fecha? E quando entre o eu e o você não existe mais nada? Bom, isso está me cheirando a metafísica, e sinceramente não é por aí. Vou ser mais direta pra que você possa saber de tudo que eu estou tentando dizer. O mundo não se divide entre pessoas que acordam sorrindo ou pessoas que acordam xingando. Na verdade o mundo se divide entre pessoas que são dramáticas e as que não são e ponto. Foi péssima a conclusão, sim eu sei que foi. Mas não vou contrariar certas leis. Isso não. Eu que sou dramática de nascença. Quando eu nasci, ah quando eu nasci. Eu tive que abrir meus olhinhos e ver o mundo embaçado, meu estômago embrulhou e não funcionou, foi assim que eu morri. Mamãe me pegou no colo, e eu estava roxinha, lábios roxos, pezinhos tortos, mas ela me sacudiu tanto, tanto que eu voltei. Assim são os dramáticos por natureza. Temos que morrer pra poder querer a vida. Quem não é se contenta com uns tapas na bunda, um choro esgarçado e um paninho pra limpar toda a sujeira. E pronto. Estamos no mesmo barco. Até ao sentar na roda brilhante e esperar... Eu morro toda vez. Mas é toda santa vez. E você que sempre foi todos que estiveram comigo, você que leva a vida na maciota. Ah tá, entendam bem, não posso ser imparcial, sou dramática porra. E depois disso aqui você que levou os tapas na bunda vai querer se envolver com as dramaqueens que encontrar por aí. Mas voltando, você sim, que leva a vida por levar, que sublima muitos sofrimentos, que não se deixa enganar, que é muito correto com suas próprias definições e apatias. Você que não sabe prescrever seus próprios sintomas. E nós que teorizamos demais, que vemos com mil olhos, que sentimos depois de morrer e que vivemos como se fossemos parar de respirar a cada minuto, num abismo bem largo de trinta centímetros de distância entre eu e você, nesse pequeno, minúsculo espaço, coexistimos.. Por milésimos de segundo. Toda santa vez. Mas é toda vez.

Anticoagulante

É fato. Vou ser bem honesta com isso aqui. O manifesto acabou comigo. Fiquei pequena, fragilizada diante do Schwartz e ele sabe disso, a man with balls, e ele também sabe disso. Bem feito pra mim. Freqüentei aula de ioga, fiz meditação, respirei igual bebê e tive que nascer de novo. E morrer antes pra estar aqui. Quem me enterrou num quintal por dois meses (obrigada pela metáfora, agora eu sei pra que ela foi servir!) soube bem como me tirar de lá. Não, não achem vocês que esse é um depoimento de experiência quase morte, porque não é. E falo para vocês, não tem nada lá. É um nada tão grande que não vale uma mísera filosofia a respeito. Lembro que pedi para que me deixassem em paz, para eu morrer em paz, mas não! Foram lá, cavaram com as unhas e me levantaram. Agora eu fico aqui nessa respiração de uma cadência só. Profunda, numerada. Essa montanha de livro que não vou ler, de novo. O dinheiro que vou continuar não ganhando, a ilusão próspera. As conversas regadas a vinho. Aos dons abortados e os mesmos malditos traumas. Tentando cometer os mesmos erros, de nada vale a vida pós morte se não for por essa chance, e gritar num escuro dentro de mim, sou eu que estou aqui, está entendendo?? Sou eu que vou sempre imprimir aqui as mesmas coisas, posso falar de você, dos homens patéticos, do seu sofrimento. Mas é sempre de mim que eu falo. E não importa quantas vezes voltarei aqui. Sempre que eu nascer, vai ser isso aqui, os mesmos bons erros. Os que não cometo, agradeço ao Ludovico, abriu meus olhos com tesoura de ponta e fez miséria com minha cabeça. Só assim. Vou viver de novo e isso me causa uma preguiça macunaímica. Esperar para virar estrela. Por isso respiro esse ar todo. De novo. E, essas gotinhas... drop drop again.

Leiam em seguida

http://www.cultblog.com.br/schwartz03_11_08.html

O manifesto hemorrágico

Anti-manifesto

Lembro de todas, multifaces das nossas entranhas pequenininhas, buraquinhos ocos, apelando pro subversivo e simpático da vida, pelo colateral e o que tensiona essa corda aí. Até fazer barulho. E quando você some no meio daquela gente toda, quando a cena não satisfaz seu ego e você sai broxado pra rua, pra vida de gato de rua, essa feita de garrafas atiradas nas paredes, essa feita de lágrimas engolidas com cevada. Quantos otários pra trocar essa lâmpada que insiste em acender na nossa cabeça? Quantos otários para subir as escadas da prosa? Quantos otários pra quantas paranóias? Eu já não sei. Porque foram os dias em brancas nuvens, que a gente tinha nosso gradiente e nossa própria mixed tape. Agora tudo fica por fora, por entre esse mau cheiro de testosterona e porra. Esse gosto embaçado na garganta, de ressaca. Eu te amos de puta, arrotos de coca-cola, como diria Tom Zé. Em cima de um palco, por detrás de portas sem maçaneta, bichos escrotos saem pelos esgotos, teorias mendigas tão fartas de tudo. Não cabe mais nada nas entrelinhas, está tudo gordo, cheio de uma intensidade que não é palpável, nem liquida é. Parece que não se lê mais Roberto Freire. Nem Marcelo Rubens Paiva, ninguém sabe de nada. Meus heróis morrem de infarto, todos gordos, veias entupidas. Não há mais teoria. Todo mundo procurando num passado noir algum futuro tecnicolor. Ilusões de beira de estrada, mancas. All this crap. Essa colagem contemporânea enfiada narinas abaixo. Ninguém entende mais nada. O cinema não tem mais importância, a vida é simples, e ninguém sacou isso ainda. E você, escuta esse samba direito rapaz, porque hoje faltam caras que trazem as pedras no peito e que mudam de calçada. Mentira.
I´m back babe!