terça-feira, 28 de julho de 2009

Upside down

Começar pelo título é criar o destino da prosa, não importa os caminhos que eu tome, o script está selado, organizado em alguma teia de acontecimentos fugidios. A dona Hemorrágica anda fazendo terapia. No começo pareceu meio estúpida a idéia, e mais besta ainda vir aqui contar isso. No começo a resistência porque parecia que alguém vinha com O torniquete e me estancaria de vez. Pingar só frases adultas e sensatas, adequadinhas pra cada situação. Aí pronto, morri de tanto medo. Mas vejo que abrir a nossa panela de pressão para os outros é o dever moral mais árduo que existe. Não tem dor mais bem parida do que a de falar sobre si mesmo. Pegar aquela sujeira bem escondida debaixo de algum tapete aqui dentro e jogar para fora, ler com outros olhos, e por fim, lixo. E fazer isso numa cadeira quase invisível de tão surrada pela dor desse parto, por tantas pessoas que já passaram ali e fizeram o mesmo que eu faço toda semana. A discussao lhe parece fútil? Inútil? Talvez seja mesmo. Mas a hora chega pra todo mundo. Seja a terapia, a aula de ioga, o exercício de academia, o antidepressivo. Uma hora você vai escorregar, pedir arrego. Talvez porque conhecer nossa grandiosidade assusta, faz cair por terra aquele discurso somos-uma-gota-no-oceano. Um dia cada um encontra sua forma de rasgar o véu da cara, de assumir as próprias desgraças. De ser o centro, porque ser a periferia já cansou, ser o que todos imaginam já causou náuseas demais. Chega uma hora que todo mundo atravessa o muro para a própria realidade construída por nós mesmos. A vida vem categórica cobrar o débito, e quem paga somos nós. Posso estar sendo cretina mas vou-me embora, atravessar esse muro e dar com a cara no que eu fiz de mim. Sentada naquela pobre cadeira que não tem culpa de nada, pegar os lencinhos de papel conforme o combinado e chorar por mim. Chorar por ver o que fiz e remediar boas alternativas, sentir vontades verdadeiras,e se for piegas (sim é piegas) fazer como senhor sao francisco pregou nas montanhas verdes de filme noviça rebelde. Amar com eyes wide open. E virar o meu mundo upside down babe, controlar meu tempo de ir e vir por você.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

sábado, 18 de julho de 2009

Da infância.

Gosto de açúcar
esfoliante no céu da boca
som forte de frustrações tardias
impressão fosse essa imagem bonita
do sol batendo no banco de madeira
doce de figo e requeijão
e vovó passando por mim
como a esse vento transitório por natureza