terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sobre estar sozinha

*wine and Brigdet Jones

Parenteses essencial: esse aqui eu descobri guardado com outros papéis, nunca tinha visto motivo pra postar mas citei Celine nele e tantas outras coisas que caem como uma luva para esse exato instante, vem logo ler porque o instante ja vai passar, viu? passou!


Reduzo essa parte nas palavras de Celine, em before sunset, envolta num cinismo necessário que escorrega por entre seus dedos dedilhando uma valsa feita para o amor perdido. Naquele mesmo corpo de matéria fictícia, porque você sabe, Celine também sou eu, e se você prestar atenção pode ser você também. Estar submersa de mim não é me encontrar, é estar ali em alguma anotação de um diário de 1995.Estar completamente sozinha no meu apartamento é estar à margem das outras coisas que abstraem e pervertem. Estar longe de você significa cada dia estar mais próxima daquilo que sou, que sempre esteve aqui, não penso em mais ninguém, mentira, se penso é para refletir o que venho sendo pra mim, se penso é para poder separar o joio do trigo, ou sou eu pura e simplesmente ou sou eu extensão de você. A paixão nao precisa ser híbrida,eu nasço porque você já existe. A paixão pode ser outra coisa, pode ser uma descoberta refutável, um ato vão, um querer apenas e um adorar mais. Amor? Esse fica alheio a qualquer significado, aqui nessas linhas o que poderia ser a metalinguagem para tal se transforma apenas em poeira daquele poema de limousines and eyelashes, porque aqui nao existe a tentativa de falar sobre, de dialogar, de exercer esses contatos de dor e necessidade. Amar dói e não é essa dor fininha que ataca o peito, é uma dor de partida, eu deixo de ser quem eu sou para ser o que tem de fictício e imaginário em mim, eu me torno verossímil a mim. Não é bem eu ali entrelaçando minhas mãos na dele,ou olhando de perto cada parte adorável das suas cosas, todas aquelas pintas decoradas. É como se não fosse eu, como se fosse essa tentativa de ser eu o amor que construo. E eu estou cansada de construir amores e ter que abandoná-los, e parte de mim morre a cada abandono, a cada rejeição, a cada decepção. Estar sozinha é conseguir isso tudo sem toda cobrança romântica, apenas com a razão simplista de que estou inteira e aqui ainda, beirando a loucura por estar muito dentro de mim mas sóbria ao perceber que não preciso da sua tentativa e que não preciso me doar tanto mais, nao preciso nascer de novo para corresponder qualquer expectativa. Estar sozinha significa estar absurdamente consciente de meus passos, e se vejo em alguma memória é só para que a forma dê espaço a imagem. Esse pensamento bonito mesmo de que eu apenas vivo sem saber quando tudo vai acabar, afinal quem sabe? Estar incomunicável ao amor. Se ele me chamar eu não vou. Mas fico aqui rabiscando esses post its na minha cabeça imaginando como seria, e escrevendo sobre ele, não é porque não amo que não posso falar como se amasse, porque parte de mim gosta de construir essa idéia, é aí que eu digo sempre que sou dessas românticas cretinas e absurdas. São nesses olhos que todos enxergam a beleza efêmera, essa não-Rafaella que provoca realidades imprevisíveis e fantasias sinceras. É preciso me apertar na urgência das coisas voláteis, é preciso me olhar e só, não é preciso muito, não sou essa expectativa que você cria, mas existo no seu pensamento, no seu ideal por muito mais tempo do que na rotina dos dias que estão passando por você. Decifra-me ou te devoro. Como já devorei tantos outros,todos os outros. O antídoto é sempre parte do próprio veneno... Para se ver livre, experimente em conta-gotas, todo o drop drop drop colorindo sua garganta novamente. Sou eu, sozinha, e você aí tendo que engolir né? Decifra-me ou drop it.

Rafaella Biasi que já não lembra mais de nada. Memória pra replicante ter.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre os dragões do paraíso

Para Laís Castro.


Sabe aquele cara que você insiste em repetir que é só mais um cara mas quando você tropeça nele você é pega por um campo gravitacional de uma densidade incalculável e você se perde naqueles olhos que você também sabe que a terra há de comer mas por enquanto estão ali, uma jabuticaba que é o universo, um buraco negro, te arrastando e você vai - ser flutuante e com respiração parca - até que aquilo te consome num mísero décimo de segundo,você se vê entregue, talvez com todas aquelas perguntas e dúvidas sobre a teoria da relatividade que você não aprendeu sobre.Você sempre esteve envolta por coisas muito místicas, aquele lance de incenso e dragões mágicos dentro do apartamento, e receitas do mousse de maracujá que ele adora, os cds que ele deixou pra trás,as fotografias que você tirou quando ele estava por trás da camera e que ele nunca soube, o olhar mecânico... E você prepara tudo do mesmo jeito sempre, só para esperá-lo chegar. Você já sabe exatamente como vai ser, afinal essa repetição, esse pequeno vício que faz com que ele volte sempre (do verbo assombrar) vai lhe causar o mesmo arrebatamento, o mesmo sobressalto intranquilo,a única palavra que você sabe usar para explicar tudo isso - vertigem que é a vida - o buraco negro de novo vindo e vindo e vindo. Ele vai embora, porque todos os dragões vão embora e o seu não é nada diferente do dragão do Caio Fernando. E ele deixa os copos da sua casa suspensos, a toalha em cima da cama, o cheiro de incenso misturado ao do cigarro que ele fuma gentilmente perto de você, para não te acordar, antes de dar o até logo. Você vai lavar as sacadas e pintar as paredes numa tentativa convincente de que essa vida pequena, meio morte, não-vertigem continua, mas no canto da sala fica a prova de que ele sabe como voltar e ele sempre volta. E dentro do apartamento um outro tropeço e os brilhos eternos e mix tapes de vocês prontas para o ERASE, a inutilidade própria das coisas que nunca acabam.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Senta aqui no meu colinho

"Tarado é todo homem normal pego em flagrante" Nelson Rodrigues

Pensei que poderia falar de outras coisas, da minha parca vida afetiva e intelectual dos últimos dias, dos amores platônicos ou das frases feitas que comovem sem que possamos perceber, mas não. Acho que vou partir pra ignorância mesmo e falar sobre sexo. Não sem antes um copo de cerveja gelado por favor. Eu acho incrível isso da facilidade que temos de falar sobre essa arte e não outras, é como se Bunuel fosse realmente mais difícil de decifrar do que alguns códigos reais de conduta. E mulher fala mesmo sobre isso, quase o tempo todo. Eu pensava que a máxima "mulher tem que ser puta na cama e uma lady fora dela" fosse um daqueles conselhos que tia velha sempre dá para a sobrinha que está pra contrair matrimônio. Isso mesmo, como se fosse o antídoto pra aquela doencinha que ela está prestes a pegar. Mas aí o lance todo me bateu na cabeça como uma bigorna de desenho animado. Se nossa carne bruta já foi amaciada pelos ensinamentos do titio Nelson e estamos aqui mais vivas do que nunca porque o contrário não poderia existir? Se eu não sou mulher pra casar mas para uma boa refeição (de palitar os dentes na mesa) eu tenho a melhor das serventias porque o contrário também nao pode ser? Homem bom é homem cafajeste, algumas neuróticas concordam comigo (não faz essa carinha nao que eu sei que você concorda). Então porque vocês homens não podem aprender também? Homem bom é homem cafa na cama e gentleman fora dela. Tão simples. Por que essa insistência em dividir as condições. É o que? Falta de foco? Defict de atenção? Porque não sabem achar a porra da manteiga na geladeira? Qual foi o processo de evolução de vocês? Por que tem uns que sabem dar os tapas na bunda e outros não? São tantas perguntas sem resposta que eu até me perco nesse caldo feito de hipocrisia e mães controladoras. E eu assumo. Sou neurótica e gosto de cafajeste. Mas não é porque curtimos uma pequena, leve, indecente, e suja (obrigada novela das oito por estragar uma das melhores palavras que explicam o sexo) subjugação na cama a gente precise dela 24 horas por dia num relacionamento qualquer não é mesmo? Não é porque gostamos da perversão de motel que a gente gosta de ser enganada sadicamente. Não é mesmo? Não é porque tem gente que curte um chantily low fat no corpo do parceiro (so eighties) que temos que comer aquele bolo terrível de aniversário. Não é mesmo? É por isso que eu falo, se eu encontrar esse cara cafajeste na cama e que seja um gentleman fora dela, eu caso, it's going to be a match made in heaven AND hell.

Rafaella Biasi que está celibataria.
Casa de prostituição afetiva Florentino Ariza: realizando sonhos impossíveis.


owners: Biasi e Laís Castro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

primeiro dia do mês e eu não tenho nada a falar... triste.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quase lá

Essa história de alter ego começou numa brincadeira entre amigos por msn mesmo. E fingiamos que eramos Celines,Alices,Lucys e Rachels. A brincadeira foi crescendo e essa mania de querer ser outra pessoa também. Assim nasceu a festa. Incorpore seu personagem e vem comigo.

Se tem uma coisa que soube fazer nesses anos todos de vida social e afetiva se chama amizade. Tudo bem que pela ingenuidade e desprazer topei por aí pessoas que gostavam de estar comigo apenas por interesses bobos ou porque tinham a certeza que eu era mesmo tolinha e idiota o suficiente para ser aproveitável. E sim eu sou aproveitável, todo mundo sabe disso. Escolhi ter amigos inteligentes por opçao mesmo, por saber que ali eu me sentiria em casa, escolhi ter amigos bonitos por opçao e sorte porque todo mundo sabe que beleza e inteligencia sao amigas díspares. E escolhi principalmente ter amigos que eu pudesse mesmo encher a boca e dizer, esse é meu amigo.

E nesse sábado pude comprovar isso. Escolher alguem pra ser em uma noite é tarefa árdua se você nao sabe, escolhi meu alter ego muito antes de pensar na festa, escolhi porque ela tava ali pra ser escolhida.E todo mundo garimpou bem dentro para tirar de lá a centelha de rock star. A festa foi deliciosamente brega de um jeito divertido.

No final eu vi o MJ dançando na boquinha da garrafa, Jason levando Dorothy Gale pra casa,Lily Allen dando mole para o Speed racer que nao desafinou em Evidências, Clark Kent fingindo ser Woody Allen, Amy Winehouse cantando I'll be there for you, princesa Léia dançando um samba, o Ita que virou Raoni incorporando Chico Xavier e se era festa para Alex Delarge colocar pra fuder, só se foi rebolando ao som de Não se reprima e Katy Perry e o francês que não sabem brincar de karaokê haha No fim essa Carrie Bradshaw tirou o Louboutin imaginário dos pés e calçou mesmo uma havaiana porque quis é brincar no carnaval paralelo que virou tudo isso aí.

Está certo que faltou muita gente mas para quem ainda duvida, eu tenho os melhores amigos do mundo. Obrigada por comemorar meus 29, meus quase lá... Obrigada pela diversão líquida e por importar comigo. Ter amigos assim é no mínimo fantástico que fica acima do imaginável.

Amo vocês.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Adaptaçao.

fico impressionada com a minha capacidade de estar confortável em ambientes inóspitos
Dizem, vira árvore! e eu viro.
Não posso me responsabilizar sempre pela loucura alheia.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quando tentativas não passam de atos falhos.

Igual construir um foguete. Você quer tanto que a primeira tentativa seja a única e você quer tanto mandar aquela máquina para o espaço. E você constrói com tanta seriedade, e chora quando ela fica pronta porque os atos criativos sao mesmo de uma beleza indizível, só quem cria é quem sabe. Por isso que para cada poesia escrita no mundo, um poeta já morto agradece a tentativa. A coisa mais difícil do mundo é encontrar nossas maneiras para a criação não-passiva, para a criação consciente,ela fica lá dançando reprimida e explode. Big-bang do ato criativo.E você lá pronta pra lançar o foguete. A tentativa comove, é tao bonito ver nascendo algo, dar sentido e utilidade para aquilo,ver que você não morreu mas que vai ainda. E nesse meio tempo de esperança vã você constrói as coisas.Primeiro as coisas vêm em caixas com manual de instrução e você as constrói por inércia. Depois fica mais difícil como foi para Edward descobrir que a única coisa que ele podia fazer com as mãos era cortes de cabelo. E logo a tentativa mais longa, a da vida inteira. Você tenta criar algo permanente porque cansa do efêmero,esses tapetes que a gente está sempre tricotando e desfazendo. E talvez eu faça isso mais para você do que para mim. Não vê que eu tento? Mas você prefere a austeridade dos fracos que só estão de pé pela força do orgulho. Se você conseguisse pular do abismo que proponho você me encontraria. E veria a cidade que acabei de criar. E já adianto. Ela é linda.


parte 2


Optamos por esquecer. Tem quem pegue as fotos e as rasguem, tem quem escreva músicas sobre elas e tem a mim que as guarda em caixas no fundo do fundo do fundo do armário da casa da minha mãe. Mas sempre no caminho do esquecimento. Aí alguma cena rotineira dá vida à lembranç.Para alguns um perfume que a garota que sentou do seu lado do ônibus está usando, para outros aquela música que nunca mais tocou no rádio, mas que naquela hora que você mudou de estação ela tocou, para mim o broche que tava escrito "o meu coração é seu". Tacky nao? Mas optmaos por esquecer essas tolices. Optamos pelo Alzheimer consciente, pelo passo rumo ao futuro que parece ser tão promissor.Futuro para alguns é matricular na aula de francês, para outros começar a academia e acreditar na serotonina diária, para mim é confabular metas impossíveis. Que artífício é esse que usamos sempre pra nos proteger da dor maior que é a dor original? Se memória é a cola que nos liga a sentimentos então perdidos e que confortam, funcionam como air bags de colisões mentais que nos levam ao passado,porque então insistimos em esquecer?Porque do brilho eterno?Se somos o que criamos,se eu sou antes de tudo o que vivi, porque essa resistência armada a lembrança? Acho que é porque desconfiamos que o amor é a constante de uma variável que não importa. Esquecer é preciso, já dizia nosso pobre coração viajante de terras desconhecidas. É preciso uma argamassa que consiga fechar certos buracos igual resina de dentista. De prefêrencia a que dure mais. Essas maneiras que encotramos para nao dar valor ao que permanece. Esses sentimentos poucos que gotejam todo dia. A mudançaque propomos,o esquecimento, a superação, tudo isso são artifícios que conflitam com o que é linear e que não acaba. Acho bem incrível essa história de superação. Nossa, você viu a fulaninha lá? Ela superou o fulaninho dela em uma semana.Porque você sabe né? A gente sofre o que se permite sofrer. Wrong answer. A gente sofre o que a gente sofre. Essas colinhas imaginárias que todo mundo usa para escapar da dor original, do amor latente. Ah esses enganos próprios da auto proteção!Percebe que esquecer é só um deles? Esquecimento é tentativa, é outra história que voçê procura para despistar o que nasce primeiro da semente que pulsa dentro de você. Antes de mim era só o amor e se eu vim depois é ele quem permanecerá. Entende? Não adianta acabar comigo porque outras virão, elas e suas colinhas, todo mundo tentando esquecer. Esse mar de memórias daquele amor naufragado,para uns tesouro a ser resgatado, para outros apenas poeira de um tempo que nao volta. Memória nao é o tempo que revivemos na nossa cabeça, memória é apenas conforto para não morrermos de tédio num espaço mínimo de quatro anos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

eu e meu querido Lord

Quando eu era pequena,minha vó tinha essa fazenda, entre martinésia e cruzeiro dos peixotos.Era pertinho da minha casa na cidade. A casa ficava do lado da mangueira e lá debaixo era bem fresco, mesmo quando tava aquele calor de dezembro, nas férias. Acredito que minha mae gostava de me deixar lá na fazenda e voltar pra cidade, afinal era um tempo em que mães nao admitiam que precisavam de um tempo pra elas e avós cumpriam seu papel de avó, que faz quitanda e conta história de assombração pra não deixar a gente dormir nunca mais. A parte mais divertida era comer requeijão derretido com açucar. E se você já foi criança na roça sabe de qual requeijão eu to me referindo. Aquele que a minha avó fazia era melhor que o doce de leite, era melhor que tudo, era melhor até que brincar de argila com meus primos. Eram muitas as coisas que se podia inventar para fazer. Cozinhar flor de laranja no fogãozinho de lenha que tinha sido presente do meu bisavô, construir casinha da arvore (que era uma tabua velha entre dois galhos da mangueira mas que funcionava)e esperar o vovô apartar as vacas para poder andar á cavalo, porque todos os dois cavalos que ele tinha as crianças podiam andar.E os dias passavam devagarzinho, lentos,como se tivesse um tic tac na minha cabeça avisando do almoço, do café da tarde e da janta. Era a noite que tudo acontecia, o medo vinha e eu não sabia me comportar. Era um medo indizível, inaudível e eu nao podia conter a dor que eu sentia, começava na cabeça quando o tic tac do tempo parava e vinha até a barriga que doía, eu queria simular doença, fingir que estava febril para minha avó me salvar, mas ela entendia que o medo chegava mas nao entendia o porque e tentava me colocar quietinha no meu lugar de criança passiva e perdida.
O Lord era um vira lata perdigueiro, pretinho que brincava com a gente de dia e de noite ele uivava. Pra mim não era uivo, era choro, pra mim o Lord chorava de solidão a noite, pra mim compartilhavamos o mesmo medo indizível, era um medo tão profundo e eu juro que eu entendia o meu amigo.E eu chegava pertinho da janela do quarto e abria rápido pra vê-lo deitado logo embaixo e eu olhava bem pra ele e pensava,eu sei, eu sei. E fechava a janela rapidinho porque a luz da lua me obrigava a acreditar no negrinho assombrado que meu avô contava que um dia entrou dentro de casa pra comer o creme de milho que ia virar pamonha. Eu sentia medo do negrinho também, mas não era o mesmo medo. O medo do negrinho era diferente, era um medo distante, esse medo lendário, de conto de fadas pra boi dormir,aquele conto de terror infantil que contavam pra gente com as luzes apagadas e o palito de fósforo aceso na boca pra imitar algum ser de fogo. O medo que eu sentia era de solidão mesmo. E minha avó esperava o espetáculo. Eu gritava e chorava, manhosa de dar dó, mimada de merecer tapa (ela nao entendia o medo). E eu chorando do lado dentro da casa e o lord uivando do lado de fora, era uma orquestra velada de solidão e melancolia que só nos dois entendíamos. Eu só queria o colo com cheiro de hortelã da anestesia de dentista da minha mãe. Lord nunca viu a mãe dele e eu tenho certeza que era isso que ele queria.
Eu gritava
-Vóoooo me leva pra casa, quero minha mãe.
Ela me dizia como se adivinhasse o antídoto da minha agonia, o cerne do meu desespero
-Chama o Lord pra te levar,tudo bem que ele não sabe o caminho direito mas você sabe, você ensina pra ele, tudo bem que ele vai passar por entre os arames farpados e vai se machucar mas você ensina pra ele, quem sabe vocês nao chegam lá?

Eu ia dormir doída, cheia de remorso e culpa. Eu não podia pedir isso ao meu amigo, eu não podia ser tão dramática,logo logo a noite ia acabar e o requeijão ia estar a mesa e tudo voltava ao normal. Eu não podia colocar meu amigo em risco ainda porque eu não saberia como nos proteger. Lord nunca soube das minhas intençoes de procurar ajuda.
Ainda hoje, quando nao sei voltar pra casa ainda penso nele,penso muito nele.Cadê meu choro compartilhado? Deve estar livre por aí, porque já está no céu dos cães e todo mundo sabe que o céu dos cães é mais bonito que dos humanos. Eu estou aqui ainda, presa entre noites em que choro sozinha, medo mesmo é da solidão permanente, aquele cheiro da solidão na fazenda mora em mim até hoje.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Meu coração é um compositor egocentrico que se acha Serge Gainsbourg.Leia isso seu grande filha da mae "it´s not about you this time".

sábado, 21 de agosto de 2010

Dos auto enganos até as pernas abertas

Você segue o fluxo porque a inércia das coisas insondáveis te permite a isso. Você chega com a mansidão das noites eternas, aquelas que terminam as seis da manhã na fila pro pão e olhos manchados. Você se permite tanto e se pergunta se não exagerou na dose, se você se propôs algum tipo de mal intratável ou se simplesmente você foi porque nao aguentava ficar parada. E essa estagnação nao tem mais o sentido das coisas alheias e abstratas a você, e os outros passam a ser gigantes de outra natureza e você passa a se importar, como o cientista que se importa com o monstro que criou. É aí que você falha, você é livre mas está mais dentro do que imaginava. Você é cético mas coisas sobrenaturais te atingem e você não pode escapar a elas. É quando você toma conta desse sentimento libertador que te faz ser menos encanada, ou menos neurótica ou até menos dramática. É quando isso acontece que o risco fica mais latente, Dorian Grey nao é mais Dorian Grey, é só um reflexo de uma alma jogada as traças. Correr o risco de assumir a liberdade dos sentidos, esse hedonismo de coca cola, enlatadinho e cheio de preconceitos e absurdo, correr esse risco é se propor ir até o último quinhão da existência enquanto carne que somos e dizer "sou eu aqui, dá pra entender???" É aceitar as coisas que reprovamos, cada blefe que suportamos, é reconhecer cada mentira que nos é contada (a todo minuto), é lidar com cada auto-engano que nos estica e nos faz abrir as pernas cada vez que aquela música toca perto de você e você se reconhece como a menor pessoa do mundo incapaz de dizer algo diferente de "eu gosto de você sabia?"Não ser afetado por isso é acreditar nessa mentirinha branca e aceitar que nao pode ser tão ruim assim abriras pernas para o desconhecido e assumir aquele sentimento mais sujo que temos, que guardamos e que resolvemos não mostrar pra ninguém simplesmente porque ninguém está afim de ver. E as máscaras cae, você descobre que o que tentava esconder estava bem mais próximo de todo mundo do que você podia supor.Como Dorian tentando esconder o quadroque mostrava o que tinha de mais vil e mortal nele. Que mostrava o que mais o feria e o arrebatava. E de novo, nesse vai e vem você encontra a liberdade e consegue sentir a clareza das coisas, a verdade imposta pelos quadros que nao dizem nada sobre eles mesmos mas que estão ali, voce nao precisa mais do propósito da arte, seja ela a sétima ou a primeira. Esse palco que a gente sobe todo dia pra mostrar ao mundo quem somos e porque somos assim, e a desafiar o propósito dos argumentos e a convencer a humanidade que temos coração puro e aquela centelha de amor do qual Ele está sempre nos convencendo de que possuímos. E aquele segredo sujinho? Sabe qual? A gente guarda para o próximo cair de máscaras, quando a gente sai do auto-engano de novo até o abrir das nossas pernas infinitas e aceita tudo como é. Sem mágoas ou culpas e com a mente aberta para a verdade que a gente conquista.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sobre one night stands

Se você tiver formação católica e estudou a vida inteira em colégio de freiras nao entre nessa, você foi praticamente criada dentro da casinha da Barbie e inventa mil historinhas para sua vida mimada, nao arrisque. Você pode confundir um pau com um coração e não é exatamente só por você que ele pulsa. Sexo subverte e é por isso que talvez sua soulmate seja sua melhor amiga, ou o melhor amigo gay. Platonizar é chique e moderno. Se estiver solta da vala libera mas segura a onda. Alerta vermelho para as filhas do pai: grandes possibilidades de se tornar sim a mulher mais carente e injustiçada que pisou na terra, pode começar a pensar em se autoflagelar com aquelas pedras que ninguém tem coragem de jogar porque todo mundo peca um dia e isso vai ser o menor dos problemas. O problema maior vai ser seu celular e a tentativa desesperadora de ligar pro pau para pedir desculpas por ter se deixado levar e tentar dizer que você não é dessas e que ele nao conseguiu conhecer um quarto do que você tem pra oferecer ( e isso pode ser interpretado de qualquer maneira, mas quando eu digo é qualquer maneira MESMO)Agora se você teve sorte na vida, um pai presente que te disse não para aquele presente caro de natal e te colocou nos trilhos, estudou em colégio estadual e tinha que roubar a coxinha de frango da galinhada pra garantir seu lanche, parabéns! Auto-estima é uma palavra feita de letras em néon na sua cabeça. E você, mulher insegura e co-dependente, indico palavras cruzadas ou batalha naval ou aquela revisitinha que ensina tricotar, futuros pulôveres para futuros homens do mar.
Segunda parte

Da série pára choques de caminhão "Meu coração é uma mulher de bandido, nunca cansa de levar na cara"


Nessa segunda parte tudo fica mais divertido e simples. Mentira. Escrever nunca é fácil. Acredito que daqui pra frente estarei mais didática, o que é uma pena já que funciono melhor quando nao controlo a gramática e nesses dias tão miseráveis de poesia o que sobra é o papel cumprindo sua função de preenchedor de letras. Se faltar poesia ainda vão ficar as teorias.

Crônica dos achados e perdidos

Essa é a parte da minha vida que eu chamo de exílio. Minha casa é minha ilha de Elba, sento no meu sofá vou ler Neruda, e confesso que sobrevivi a minha luta. Essa é a parte de mim que está sozinha, e isso significa estar solteira e o que signifca mais, estar fatalizada por inúmeros clichês. Estar solteiro sempre me pareceu um pulo de um trampolim. E eu nunca gostei de trampolins, nem dos menores, me sinto rídicula pulando deles. E sempre me senti constrangida por estar solteira, e por isso sempre me entendi muito bem com minha neurose fatigada pela substituição de personagens afetivos e na minha testa sempre um bilhete "aqui jaz a eterna namoradinha". Porque é o que sempre fui. Os pequenos momentos de solidão foram por mim banalizados e pervertidos. Sabe aquela idéia frouxa de que sempre vale pela companhia? Seja qual for a companhia. Então eu estava sempre lá nessa eterna ciranda drumondiana. Rodando e rodando e rodando... Antes eu engolia o clichê, hoje eu o aceito. E as Cabírias que estão coigo seguindo esse circo sasbem bem do que estou falando. Do mais moderno aos mais clássicos. O ligar ou não ligar essa a questão, é a amiga que empresta aquele livro ótimo sobre como entender os homens pós-modernos, é o sex and the city e a bacia de brigadeiro, são as crônicas de Xico Sá.Talvez eu sempre tenha tido é medo disso tudo, medo de ficar só comigo, medo de não gostar de mim, de não descobrir como gosto dos meus ovos no café da manhã e mais medo ainda de ganhar um fora de mim memsa. Porque sejamos realistas e deliciosamente ordinárias, se não formos boas companhias para nós mesmas, quem mais vai ser né? Se um dia falaram que cartas de amor são rídiculas essa crônica talvez seja a maior besteira que eu já escrevi, porque você sabe,a única hora da vida que temos que fugir do clichê é ao criarmos uma idéia e ela tem que ser muito boa, muito convincente, tem que cutucar de alguma forma, e isso aqui só está me obrigando a a prender você na minha teia atual de ceticismo e senso comum. Essa é a parte que não me encontro, ou talvez pior, me encontre num hiato, cheia de dúvidas e incertezas, e isso causa mal estar pelas coisas que não foram, pelas coisas que insistem em regressar e pelas tantas outras que nunca vão ser. Experimenta sair na noite, sóbria, enxergar as pessoas com outros colírios nos olhos, estão todos muito cansados, os homens estão todos muito perdidos, mas verdade é que disso tudo eu já sabia. E quando nao vejo isso, eu vejo absolutamente nada. Estão todos estéreis e apegados a idéia de que somos loucas, psicopatas e esperando por eles em casa com coelhinhos fervendo na panela. Mas se vejo nisso tudo algo que possa relativizar a teoria talvez seja a percepção tão igualmente clichê de que eu esteja minimamente, num estado absoluto de carência e são igualmente idiotas os motivos pelos quais eu caio nessa merda toda. A culpa cristã de não ter sido boazinha o suficiente, de não ser a mulher mais agradável do mundo, ou a dificuldade arrasadora de dizer não para todos eles. Aquele não de uma mãe permissiva já adianta ao filho que se ele tentar pedir mais uma vez ele pode conseguir o talvez, eu falo sobre o não que aterroriza, o nao enfático de mulher bem resolvida, esse eu conheço bem pouco e minhas neuroses nascem e morrem nessa culpa que prende minha respiração e que me dá insônia à noite.Consigo enxergar essa idéia que proponho agora como uma sanfona, como tem que ser toda coisa onde se admite o paradoxo, a limitação e uma pequena dose letal de incoerência. Não estou aqui nessa crônica, isso aqui é apenas uma tentativa. Não tento decifrar os homens porque essa mania está a cada dia mais inócua e infeliz. Eu apenas tento propor o ponto de interrogação. Se formos sintomáticas demais corremos o risco de nos ferirmos irremediavelmente no labirinto tonto dos dramas e das ações impensadas, mas se formos corretas e duras demais corremos o sério risco de nos achar sempre o que não é justo, porque perder-se, mergulhar nas possibilidades, é aí que está o grande mistério, aí está o cerne do que somos feitas, aí que está a fragilidade decodificada, aí que eles encontram as teorias descendo por água a baixo e a verdadeira unicidade feminina, o fantástico, a incompáravel certeza de que somos simplesmente essa mera existência de Amor, esse pontinho de verdade e beleza, sem projeções,sem culpas, sem cobranças e o mais importante, sem a insegurança que permite tanta polêmica. Eu particularmente estou longe de me encontrar mas ao mesmo tempo que temo em me perder para sempre continuo invísivel a olhos nus de homens que só sabem ver o óbvio. Se você for esse não se preocupe, eu posso estar sentada bem ao seu lado agora que você não vai me ver. e nâo é porque eu curto um cineminha noir e uma atitude blasé, mas porque eu ali sou só esse ponto, um quase nada brilhante invísivel ao previsível.

Rafaella Biasi que não tem certeza de nada, e ainda não descobriu como prefere seus ovos no café da manhã.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Bon Jovi - O primeiro cafajeste de nossas vidas






Quando fiquei sabendo que o Bon Jovi confirmou o único show no Brasil esse ano, confesso que minhas pernas de 13 anos de idade bambearam. Aquele friozinho na barriga próprio dos "putz vai rolar um flashback com ele". Sei que abandonei o Bon Jovi faz tempo, risquei ele da minha agenda e nunca mais liguei, mas fato é que ele me abandonou bem antes, fora as milhoes de decepçoes que sofri durante esses 15 anos de caso mal resolvido e choros no banheiro.
Ele me decepcionou primeiro em 94 quando crossroad nao era o cd que eu esperava, era so uma coletanea, mas aquelas duas faixas e os dois clipes na mtv me fariam perdoa-lo pela primeira vez.
Admito que nosso caso se firmou em 95, depois que eu conheci de cabo a rabo suas letras magoadas e de paixoes vãs, traições, patifarias e tudo que envolve um bom contexto para um bom cafajeste. E aquela nostalgia do que havia sido Bon Jovi antes de mim. Trilhas de faroeste chinfrim, blood on blood e as maos pedindo pra eu manter minha fé nele como em olhar albuns de fotografia de infância do namorado e morrer de vergonha dos idos 80. Três álbuns e o mesmo cabelo rídiculo. Quem nunca se sentiu traída quando always não foi pra sempre e aquele velho cachorro chutando nossos sonhos de eternidade? Aliás, o pra sempre foi o blefe mais ordinário que ele criou. Aí vem a mágoa depois daqueles dias. A partida dele eu nunca esqueci, muito menos a Demi Moore em Chelsea roubando uma cena ínfima do meu coração já estraçalhado. Porque quando ele dizia que estaria lá por mim eu esperava, quando eu soprava as velas de todos os 4 aniversários que fiz pensando nele. E havia chegado a minha vez, depois de ficar ouvindo a mesma ladainha, os mesmos acordes e a mesma batida eu decidi que iria deixá-lo. Fui e pensei que seria pra sempre. Passaram 15 anos desde a visita dele no Brasil, são 15 anos de amor mal resolvido, da imensa alegria de abrir o these days novinho e tentar traduzir todas as palavras que ele havia escrito, pra mim 14 cartas de amor ridigidas a meia luz e a mesma tristeza não contida toda vez que eu não podia gravar aquele programa que ia passar na mtv. E aquele do Faustão querido? Nunca vou esquecer, um misto de vergonha alheia e o último fiapo de esperança e eu já nao mantinha a mesma fé em você. Nosso caso chegou ao fim quando você botou o pé naquele palco, ou na malhação ou no programa imbecil do Serginho. Mas nao posso deixar de lembrar de 95 quando você cantou tão honestamente que estaria aqui por mim e eu lá acreditei em você e é por isso que eu estou aqui hoje esperando ansiosamente pelo dia 06 de outubro onde nos reencontraremos pra matar as saudades, pra rolar aquele flashback em bed of roses e para never say goodbye, você vai ficar aqui, ALWAYS...

Rafaella Biasi que nunca soube ser tiete porque amou demais e já está com o ingresso em mãos para o dia do reencontro.

sábado, 10 de julho de 2010

http://nessboglin.blogspot.com/2010/07/sereno.html

Adoro quando os meus me decifram em poucas e urgentes respostas. Me faz chorar esse contato íntimo, e eu gosto.

um beijo para voce, minha amiga.

admirável mundo novo

Para eu-hemorragia, o eu-lírico mais impotente e indecente que eu ja conheci.

Essa idéia de simplicidade é mesmo uma viagem. Essa de tentar viver em um ponto somente. A importancia de ser denso para ser leve cansa. Alcançar o mínimo só para poetas concretistas, talvez nao seja para esse eu lirico que insiste em me coagir e aborrecer. "o amor em seu formato mínimo"... Ah se eu pudesse ter falado tudo que eu tive vontade, se nao fosse pelo adeus enrustido naquele olhar (a cena aqui de novo, em primeiro plano) porra! que dor me causa tentar, que dor é essa meu Deus? da onde vem e para que vem? Eu aqui tentando esticar as palavras, abrir minhas pernas para receber algo em troca e voce aí, estéril. Horizontal. Esparramado. Desconstruidor de narrativas_ o azul no ceu e a orelha de Lynch na mao_ eu estava certa a todo tempo, nao adianta, ninguem entenderia, nao vou mais me cansar, eu quero outra coisa, não quero abrir mais minhas caixas torpes de Pandora pra você, nao quero que voce me veja em lugares publicos,nem na mesa do bar e muito menos comprando revista na banca. Para os caes famintos que querem meus fragmentos,so sorry. Nesses dias esquisitos_de rock noventista e Vida de Solteiro no talo _ terao muito pouco de mim, proponho que reconheça esse substrato, esse suco que ficou de tanto apertar e espremer. Estou reduzida ao caos que cavei dentro de mim. Estou morando bem embaixo dele,perto demais da realidade. Eu nao sei o que foi aquilo que vi antes, nao sei se foi bonito ou foi feio mas aqui nesse buraquinho a visão é de um azul escandaloso, se voce quis minimalismo eu só posso dizer, desculpa,tem contraste demais nessa tela, tem um neo-barroco insuportável na minha frente. Tem esse paradoxo sentado aqui tentando lhe dizer que mesmo que eu tenha sido esse muito pouco, eu sou muito mais que voce possa imaginar, eu sou minha língua áspera e salgada que escorre lentamente pelo espelho, indo e voltando. Eu estou aqui, arranhando a garganta para conseguir o mínimo imperfeito. Estou aqui, sem saber o que vem depois do feixe luminoso, da poesia libertária, da fotografia, do laço de fita vermelho, do bagaço da laranja.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

gente!!! vamos comemorar??? estou na centésima postagem!! vou escrever uma crônica de presente para todo mundo que vem aqui, dar de cara com essas palavras que que que... sei la o que essas palavras fazem, mas elas fazem hein!

Abraço para todas vocês hemorragias que sangram comigo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

um dia eu vi num filme que para começar a história a gente precisa só de uma frase. Concordo. O gato subiu no muro. Depois termino.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Frase do dia

I wish I knew how to quit you

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Mamãe passou açucar em mim

para Gabriel Biasi nascido em 1986


Há de se comemorar o nascimento desses homens. Desses homens que serão para sempre os meninos de suas mães, e que procuram a última tentativa de beber do leite derramado (por nós). Leite morno com bastante açucar assistindo caverna do dragão. Talvez usaram a fantasia de batman pra impressionar a menina e ela achou que ele fosse um gatinho. Não sei bem porque mas ele cresceu, de milímetro em milímetro.
Esse tipo de menino vive no mundo da lua e nos arredores do seu umbigo e ele não vai lembrar do seu aniversário mas vai prometer depois de dever muito. Ele procura nos muitos seios que olha aquele leite morno, açucarado. Ele tem aquele olhar perdido e meio tristonho próprio daquele menino que olhava dentro da loja de brinquedo, pedindo, implorando algo que nem ele sabe bem o que é. Esse tipo de menino é cheio de razão. Não adianta você dizer que ele não pode subir no muro porque ele vai cair, ele sempre acha que pode bancar o tombo. E voce segura na mão dele porque ele procurou pela sua e você vai atrás dele vendo o mundo através de seus olhos, daqueles que vêem sempre pela primeira vez. E você acha o máximo aquilo de ver pela primeira vez. E você segue, sempre atrás porque é por ali que ele te julga imprescindivel. É por ali que você vai premeditar os tombos futuros, as bobagens ditas, as primeiras palavras sujas que não significam VOCÊ. É por ali que ele sente pronto para algum acontecimento fantástico . É bem aí nesse momento que ele vai dizer o primeiro não, que vai dar a primeira birra, o primeiro chilique, o primeiro tapa, e você vai usar de sua didática maternal para mostrar o correto e o ideal para ele, e ele vai escutar rock n roll, bater a porta do quarto na sua cara e dizer que não precisa mais de você. E é nesses um metro e meio que ele vai permanecer a vida toda. Constantemente num aniversário de 13 anos. Vai olhar a primeira playboy escondido, descobrir que tem outras além de você e aí voce saberá que é o fim da sua pequena existência junto a ele. Ele está pronto para fugir de casa que sempre foi seu coraçao aberto e seus olhos que velam por ele. E quando você tentar acordá-lo com um beijo numa bela manhã de uma segunda feira ele já vai ter partido. E você irá encontrá-lo pela última vez, sentado na praça da bicota tomando catuaba quente olhando para as milhares de mamadeiras e seus leites açucarados.

Por Rafaella Biasi que ama muito um desses aí mas que avisa se não sabe brincar devolve “os hominho”.

Aquecendo a garganta

Com conhaque em gargarejos.

Sinto falta das minhas crônicas. De conversar mais atentamente com quem me vê. Saudade de falar em atos de amor e rendenção...

little miracle

para Hermes Machado


Quando as provas de amor existem como saídas de emergência e você não pode escapar a si mesmo e tenta dizer o último eu te amo, aquele em que ela espera do lado de fora do ônibus, correndo, ecoando as letras no vácuo do som que é o nada. A lente embaçaria se fosse esse o meu roteiro e ela bem longe com aquela saia godê que você sempre disse que não caia bem. Superstição e alguns segredos. E você segue viagem e conhece lugares lindos que não pertence a ela. E por cada pedra do caminho você escreve alguma nota mental, um roteiro imaginário onde cabem Modiglianis e Nerudas. E você volta, cheio de si (matéria densa) num copo de 2 metros de altura de si. Amar é um ato contínuo. São como ondas que arrastam e que levam, que subjugam e que elevam. Amar é por contradição tudo aquilo que Camões falou um dia, esse viajante. E você sempre soube que causaria algum dano irremdiável se fosse, mas mesmo assim você foi, livre, procurando naquela imagem em movimento algo que só um free spirit procura. Like an easy rider. E nesse take o vento sentido na cara transformando a água em lágrima. E ela viveu como deveria ser. Em movimentos lentos, fortes e repetidos, como apertar a laranja pra sair o suco. Como costurar a barra de uma calça velha, como bater o prego dos quadros na parede. Ela andou minutos e você andou por dias. O tempo não encaixou, você num futufo-sentido, flutuante. Ela num presente concreto, maciço. E por isso você voltou e passou reto uma rua acima da qual ela se encontrava. Ela não viu.E você andou, mudou, transmutou e virou estrela. Macunaímicamente. Ela criou raíz. Percebe que a tentativa não salva ninguem? Pra lembrar de alguém antes da viagem é preciso haver um pequeno milagre, não bastaria aquela máquina que faz com que esqueçamos e revivamos tudo, a história sempre terá início, a viagem e o fim. Um eterno brilho com Macunaíma lá em cima.

frase do dia

you had me at "hello"

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Estou de volta. Adiei meus planos de dominar o mundo. Falta a Nassar construir a nave e o André fazer os testes, mas enfim. Estou de volta. Já disse que sou sagitariana né e sim isso implica em algumas coisas como por exemplo as altas expectativas que crio ao redor de mim, uma chatice. A última delas foi decidir escrever um livro e de repente comecei a ler tudo que vi pela frente. E agora não páro mais de ler e não consigo escrever o maldito. Let it be. um refil de mim por favor!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

À obsessão e aos caminhos de despreendimento

Desligar essa chave do interruptor é mais perturbador do que eu imaginava. Afinal estou sozinha nesse apartamento, tomando leite no bico da caixinha. Se desse morte, já teria dado. E ninguém veio até agora, para me ajudar. Não que eu precise de ajuda, mas voce percebe ter algumas coisas repetidas na cabeça, in frames, só quando você se vê num apartamento desarrumado, uma cozinha suja, e sem copos pra tomar seu leite. Um pensamento fixo, pregado com durepox nos miolos, dizendo sempre a mesma coisa. Pra poder explicar de onde começa minha obsessão. Eu tinha 17 e um namorado. Clichê mesmo explicar uma obsessão que envolve algum relacionamento, mas ces´t la vie. E eu tinha esse namorado paranóico. E um dia eu dei um perfume pra ele. E eu usava um, só um. Porque desde cedo eu já sabia das coisas. Ter só um perfume para a maioria das suas lembranças não ser em vão. E foi bem por aí que minha obsessão pelas memórias tomou proporcões desagradáveis. Ele dizia que não queria saber o nome do meu perfume, pra não se apegar em minha imagem quando eu me fosse, pra que eu nao fosse um fantasma perfumado quando houvesse outra, e que eu nao fosse muita coisa, afinal, ele nao queria ter que lidar comigo sendo o futuro passado existente dele, pensando que num futuro alguém exigiria o que ele me exigia naquela hora. E quando eu falo que o tempo é memória implantada pra replicante ver, ninguém acredita. Talvez se minha obsessão fosse mais grave eu teria me tornado sei lá, uma colecionadora de qualquer coisa ou restauradora de obras de arte. Ok,não vou me aprofundar demais nisso, nao é muito importante. Nem pra mim, nem pra você. Continuo sentada aqui tentando meter a mão nesse interruptor e se com um pouco de escuro eu me desapegue desse pensamento repetitivo, que me faz chorar. E uma avaliação de todas as coisas que eu nao deveria ter feito. Toda essa merda de mudar o passado pra reconstruir melhor um futuro. Minha obsessão vai muito além das caixas e dos perfumes que eu ainda guardo. Ela está aqui dentro, de uma forma que nao consigo escapar. De alguma maneira aquela cena é todo um produto pré fabricado do que eu seria. De alguma maneira alguém conseguiu me moldar para o que sou agora. Não pertencer e não virar pensamento de alguém me dói muito. Mas a obsessão nao é essa. É dificil explicar uma coisa que apenas acontece, sem diagnósticos prévios ou certeiros. Mas dói mesmo é essa repetição. Fazer de momentos, frações que durem por muito tempo no meu cérebro. Mas fazer tão exaustivamente que agora me assusta quanta probabiliadade existe de eu estar inventando tudo que esperei guardar, pra não esquecer. E cheirar aquele perfume sem nome no ar, pra tentar lembrar dele. Mas me esquecendo que nem da voz daquela época eu me lembro, talvez dos pés,mas a voz não. E isso torna doentio quando eu me vejo sentada no chão do meu apartamento, fazendo força com os olhos para lembrar porque guardei mesmo essa rolha desse vinho tinto? Não me lembro não me lembro não me lembro não me lembro lembro lembro lembro lembro lembro lembro lembro lembro lembro lembro lembro lembro. Várias garrafas de vinho se formam na minha cabeça, figuras repetidas, e eu conto todas e elas tomam movimentos, e eu fico fazendo uma força para lembrar. E agora preciso do interruptor pra desligar essa luz que me cega, assisto o filme da Piaf e choro como criança em seu orgulho de criança ferido. Não tinha garrafa, nem vinho, nem lugar algum, alguém plantou isso aqui na minha memória, isso nao é meu, se fosse eu teria comigo, aquele perfume que você nao quis saber o nome? Anais anais. Gostaria que estivesse aqui pra saber, talvez tudo seria diferente, e o tempo, não fosse tão importante se apenas deixássemos ele ser e só.

Memórias ainda abafadas num mundo onde as pessoas vivem no máximo por quatro anos.

(a Zhora, que soube desde sempre sangrar entre vidros de vitrines mortas)

Porque não se pode viver muito num mundo onde as corujas são de mentira e as músicas tocam a gente como necrófilos tocam gente morta, mundo onde a melancolia se mistura com a vontade de ser mais, de ser mais alta do que aqueles prédios que sufocam e onde ainda existem pianos e fotos p e b. Mania de querer ser o que valha um cinema noir. Mas não. Sinto que fui desmascarada, correram atrás de mim e eu com essas provas na mão, EU que nem sei dobrar origamis. Mas correram tanto e me perguntaram como eu queria morrer e quanto tempo eu teria. Não foi exatamente o que pensei quando quebrei aqueles vidros num propósito inexato e poético de mostrar a você que eu também sangraria, morreria gota a gota, e que eu não era apenas aquela boneca de plástico que você insistiu em colocar dentro do quarto. E você ficava lá me adorando e imaginando um futuro dramático de fugas em carros conversíveis e vista de terracota. Eu quis provar que eu cairia em câmera lenta torcendo para que você fizesse aquela cara de arrependimento e fosse me resgatar. Mas eu cairia em quadro a quadro só para te fazer ver o tanto que eu estava sofrendo, só para te mostrar que não existe razão para discutir a diferença entre ficção e a vida real, é tudo a mesma coisa. E você veria tanto sentimento, tanta carência que me abraçaria, e toda aquela poesia que a gente foge se tornaria literal, feita de sangue, aquele que refletiu entre vidros e mostrou para você naquele segundo toda a minha existência. Ninguém sabe que está vivendo até que corra o risco de morrer. Seja lá qual for essa morte, eu preferi olhar para você e dizer, eu morri de Amor e de Fé em quem me criou. Porque justificativa de deus é essa centelha luminosa e que vai apagando a cada dia que passa. Mas comigo não, a cada dia que aproximava da morte, eu me sentia mais humano, mais vivo e principalmente mais eterno. Porque você não viu o que eu vi durante essa mísera existência, e é uma puta sacanagem para a narrativa se eu não desse a mínima esperança de que tudo valeu à pena e que ainda não termina aqui, por entre essas lágrimas na chuva. Mas eu repudio esse discurso caquético de que tudo teve um propósito porque aquelas estrelas que eu vi caindo de um céu cinzento não fazia sentido, apenas vibrava. Furei seus olhos Pai para você nunca ver o que fez de mim, essa criatura metade vida metade não-vida, morta de sede, carente até o talo, preguiçosa, fútil, mimada e que solta pombas da paz pelos olhos toda vez que acorda e olha esse sol amarelo-alaranjado, com mais pixels que o sol de verdade, essa esperança escorre e derrete relógios de um tempo fading away. E esse desabafo é uma réplica apenas. Esse papel impresso em letras criadas por uma mente inteligente. O que eu queria mesmo dizer lies with me, e fica por trás desses olhos que cintilam muito, o que eu quero dizer talvez esteja aqui nesse sangue que você está vendo, entre essas minhas vontades de vida e morte. Sangue como aquele lírio que pousa na água e é seu próprio e distinto reflexo (em si mesmo).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Rafaella Biasi

Muito delicadamente como num acende apaga de luzes... ela me disse olhando nesses olhos q nao cintilam, voce nao é Rachel.Vocé é Zhora, será que nao entende? E eu entendi, sou eu que sempre me estilhaço inteira e sangro pra celebrar o Amor e a Vida. Rachel é aquela ilusao, a janela aberta e o sol lá de fora que é de mentira, olhos de ficçao cientifica, o teste falha quando a pergunta não chega as vias de fato. Mind if I smoke?

*Entendendo Blade Runner para entender a mim*

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Exposição

Desconfio que nessa vou me repetir, talvez me contradizer um pouco só para despistar os mais curiosos e os que acham que sabem de tudo, porque o tudo além de ser menos do que se imagina é também um tanto sem graça.Há de se fazer Arte porque temos Almodovar pra nos lembrar disso. Toda vez que eu sinto desprezo por tudo isso aqui na minha cabeça eu lembro dele e das minhas carnes trêmulas numa banheira transparente e o orgasmo, das cordas nos meus pulsos e a fita isolante na minha boca e o orgasmo, num jean paul gaultier belissímo e o orgasmo e eu fico naquela viagem de que é preciso ser mais magenta. Daquele do cinema-amor, sangue do meu sangue, dor da minha dor. Quem disse que beijo só da mulher amada não entende aquele corpo se debatendo entre mil vidros e mil sóis de sangue, nao entende aquele fim que apaga a tela sem mais nem menos e deixa a gente pensando que amor de uma hora e meia é amor eterno. Ainda bem que Almodovar me conquistou de novo, me pegou na sua teia e é por ele que eu sei que há de se fazer Arte, há de sermos muito mais que só nós, há de sermos Penélopes transvestidas se quisermos pingar nos olhos de homens que vivem constantemente anoitecendo.