sábado, 10 de julho de 2010

http://nessboglin.blogspot.com/2010/07/sereno.html

Adoro quando os meus me decifram em poucas e urgentes respostas. Me faz chorar esse contato íntimo, e eu gosto.

um beijo para voce, minha amiga.

admirável mundo novo

Para eu-hemorragia, o eu-lírico mais impotente e indecente que eu ja conheci.

Essa idéia de simplicidade é mesmo uma viagem. Essa de tentar viver em um ponto somente. A importancia de ser denso para ser leve cansa. Alcançar o mínimo só para poetas concretistas, talvez nao seja para esse eu lirico que insiste em me coagir e aborrecer. "o amor em seu formato mínimo"... Ah se eu pudesse ter falado tudo que eu tive vontade, se nao fosse pelo adeus enrustido naquele olhar (a cena aqui de novo, em primeiro plano) porra! que dor me causa tentar, que dor é essa meu Deus? da onde vem e para que vem? Eu aqui tentando esticar as palavras, abrir minhas pernas para receber algo em troca e voce aí, estéril. Horizontal. Esparramado. Desconstruidor de narrativas_ o azul no ceu e a orelha de Lynch na mao_ eu estava certa a todo tempo, nao adianta, ninguem entenderia, nao vou mais me cansar, eu quero outra coisa, não quero abrir mais minhas caixas torpes de Pandora pra você, nao quero que voce me veja em lugares publicos,nem na mesa do bar e muito menos comprando revista na banca. Para os caes famintos que querem meus fragmentos,so sorry. Nesses dias esquisitos_de rock noventista e Vida de Solteiro no talo _ terao muito pouco de mim, proponho que reconheça esse substrato, esse suco que ficou de tanto apertar e espremer. Estou reduzida ao caos que cavei dentro de mim. Estou morando bem embaixo dele,perto demais da realidade. Eu nao sei o que foi aquilo que vi antes, nao sei se foi bonito ou foi feio mas aqui nesse buraquinho a visão é de um azul escandaloso, se voce quis minimalismo eu só posso dizer, desculpa,tem contraste demais nessa tela, tem um neo-barroco insuportável na minha frente. Tem esse paradoxo sentado aqui tentando lhe dizer que mesmo que eu tenha sido esse muito pouco, eu sou muito mais que voce possa imaginar, eu sou minha língua áspera e salgada que escorre lentamente pelo espelho, indo e voltando. Eu estou aqui, arranhando a garganta para conseguir o mínimo imperfeito. Estou aqui, sem saber o que vem depois do feixe luminoso, da poesia libertária, da fotografia, do laço de fita vermelho, do bagaço da laranja.