segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Meu coração é um compositor egocentrico que se acha Serge Gainsbourg.Leia isso seu grande filha da mae "it´s not about you this time".

sábado, 21 de agosto de 2010

Dos auto enganos até as pernas abertas

Você segue o fluxo porque a inércia das coisas insondáveis te permite a isso. Você chega com a mansidão das noites eternas, aquelas que terminam as seis da manhã na fila pro pão e olhos manchados. Você se permite tanto e se pergunta se não exagerou na dose, se você se propôs algum tipo de mal intratável ou se simplesmente você foi porque nao aguentava ficar parada. E essa estagnação nao tem mais o sentido das coisas alheias e abstratas a você, e os outros passam a ser gigantes de outra natureza e você passa a se importar, como o cientista que se importa com o monstro que criou. É aí que você falha, você é livre mas está mais dentro do que imaginava. Você é cético mas coisas sobrenaturais te atingem e você não pode escapar a elas. É quando você toma conta desse sentimento libertador que te faz ser menos encanada, ou menos neurótica ou até menos dramática. É quando isso acontece que o risco fica mais latente, Dorian Grey nao é mais Dorian Grey, é só um reflexo de uma alma jogada as traças. Correr o risco de assumir a liberdade dos sentidos, esse hedonismo de coca cola, enlatadinho e cheio de preconceitos e absurdo, correr esse risco é se propor ir até o último quinhão da existência enquanto carne que somos e dizer "sou eu aqui, dá pra entender???" É aceitar as coisas que reprovamos, cada blefe que suportamos, é reconhecer cada mentira que nos é contada (a todo minuto), é lidar com cada auto-engano que nos estica e nos faz abrir as pernas cada vez que aquela música toca perto de você e você se reconhece como a menor pessoa do mundo incapaz de dizer algo diferente de "eu gosto de você sabia?"Não ser afetado por isso é acreditar nessa mentirinha branca e aceitar que nao pode ser tão ruim assim abriras pernas para o desconhecido e assumir aquele sentimento mais sujo que temos, que guardamos e que resolvemos não mostrar pra ninguém simplesmente porque ninguém está afim de ver. E as máscaras cae, você descobre que o que tentava esconder estava bem mais próximo de todo mundo do que você podia supor.Como Dorian tentando esconder o quadroque mostrava o que tinha de mais vil e mortal nele. Que mostrava o que mais o feria e o arrebatava. E de novo, nesse vai e vem você encontra a liberdade e consegue sentir a clareza das coisas, a verdade imposta pelos quadros que nao dizem nada sobre eles mesmos mas que estão ali, voce nao precisa mais do propósito da arte, seja ela a sétima ou a primeira. Esse palco que a gente sobe todo dia pra mostrar ao mundo quem somos e porque somos assim, e a desafiar o propósito dos argumentos e a convencer a humanidade que temos coração puro e aquela centelha de amor do qual Ele está sempre nos convencendo de que possuímos. E aquele segredo sujinho? Sabe qual? A gente guarda para o próximo cair de máscaras, quando a gente sai do auto-engano de novo até o abrir das nossas pernas infinitas e aceita tudo como é. Sem mágoas ou culpas e com a mente aberta para a verdade que a gente conquista.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sobre one night stands

Se você tiver formação católica e estudou a vida inteira em colégio de freiras nao entre nessa, você foi praticamente criada dentro da casinha da Barbie e inventa mil historinhas para sua vida mimada, nao arrisque. Você pode confundir um pau com um coração e não é exatamente só por você que ele pulsa. Sexo subverte e é por isso que talvez sua soulmate seja sua melhor amiga, ou o melhor amigo gay. Platonizar é chique e moderno. Se estiver solta da vala libera mas segura a onda. Alerta vermelho para as filhas do pai: grandes possibilidades de se tornar sim a mulher mais carente e injustiçada que pisou na terra, pode começar a pensar em se autoflagelar com aquelas pedras que ninguém tem coragem de jogar porque todo mundo peca um dia e isso vai ser o menor dos problemas. O problema maior vai ser seu celular e a tentativa desesperadora de ligar pro pau para pedir desculpas por ter se deixado levar e tentar dizer que você não é dessas e que ele nao conseguiu conhecer um quarto do que você tem pra oferecer ( e isso pode ser interpretado de qualquer maneira, mas quando eu digo é qualquer maneira MESMO)Agora se você teve sorte na vida, um pai presente que te disse não para aquele presente caro de natal e te colocou nos trilhos, estudou em colégio estadual e tinha que roubar a coxinha de frango da galinhada pra garantir seu lanche, parabéns! Auto-estima é uma palavra feita de letras em néon na sua cabeça. E você, mulher insegura e co-dependente, indico palavras cruzadas ou batalha naval ou aquela revisitinha que ensina tricotar, futuros pulôveres para futuros homens do mar.
Segunda parte

Da série pára choques de caminhão "Meu coração é uma mulher de bandido, nunca cansa de levar na cara"


Nessa segunda parte tudo fica mais divertido e simples. Mentira. Escrever nunca é fácil. Acredito que daqui pra frente estarei mais didática, o que é uma pena já que funciono melhor quando nao controlo a gramática e nesses dias tão miseráveis de poesia o que sobra é o papel cumprindo sua função de preenchedor de letras. Se faltar poesia ainda vão ficar as teorias.

Crônica dos achados e perdidos

Essa é a parte da minha vida que eu chamo de exílio. Minha casa é minha ilha de Elba, sento no meu sofá vou ler Neruda, e confesso que sobrevivi a minha luta. Essa é a parte de mim que está sozinha, e isso significa estar solteira e o que signifca mais, estar fatalizada por inúmeros clichês. Estar solteiro sempre me pareceu um pulo de um trampolim. E eu nunca gostei de trampolins, nem dos menores, me sinto rídicula pulando deles. E sempre me senti constrangida por estar solteira, e por isso sempre me entendi muito bem com minha neurose fatigada pela substituição de personagens afetivos e na minha testa sempre um bilhete "aqui jaz a eterna namoradinha". Porque é o que sempre fui. Os pequenos momentos de solidão foram por mim banalizados e pervertidos. Sabe aquela idéia frouxa de que sempre vale pela companhia? Seja qual for a companhia. Então eu estava sempre lá nessa eterna ciranda drumondiana. Rodando e rodando e rodando... Antes eu engolia o clichê, hoje eu o aceito. E as Cabírias que estão coigo seguindo esse circo sasbem bem do que estou falando. Do mais moderno aos mais clássicos. O ligar ou não ligar essa a questão, é a amiga que empresta aquele livro ótimo sobre como entender os homens pós-modernos, é o sex and the city e a bacia de brigadeiro, são as crônicas de Xico Sá.Talvez eu sempre tenha tido é medo disso tudo, medo de ficar só comigo, medo de não gostar de mim, de não descobrir como gosto dos meus ovos no café da manhã e mais medo ainda de ganhar um fora de mim memsa. Porque sejamos realistas e deliciosamente ordinárias, se não formos boas companhias para nós mesmas, quem mais vai ser né? Se um dia falaram que cartas de amor são rídiculas essa crônica talvez seja a maior besteira que eu já escrevi, porque você sabe,a única hora da vida que temos que fugir do clichê é ao criarmos uma idéia e ela tem que ser muito boa, muito convincente, tem que cutucar de alguma forma, e isso aqui só está me obrigando a a prender você na minha teia atual de ceticismo e senso comum. Essa é a parte que não me encontro, ou talvez pior, me encontre num hiato, cheia de dúvidas e incertezas, e isso causa mal estar pelas coisas que não foram, pelas coisas que insistem em regressar e pelas tantas outras que nunca vão ser. Experimenta sair na noite, sóbria, enxergar as pessoas com outros colírios nos olhos, estão todos muito cansados, os homens estão todos muito perdidos, mas verdade é que disso tudo eu já sabia. E quando nao vejo isso, eu vejo absolutamente nada. Estão todos estéreis e apegados a idéia de que somos loucas, psicopatas e esperando por eles em casa com coelhinhos fervendo na panela. Mas se vejo nisso tudo algo que possa relativizar a teoria talvez seja a percepção tão igualmente clichê de que eu esteja minimamente, num estado absoluto de carência e são igualmente idiotas os motivos pelos quais eu caio nessa merda toda. A culpa cristã de não ter sido boazinha o suficiente, de não ser a mulher mais agradável do mundo, ou a dificuldade arrasadora de dizer não para todos eles. Aquele não de uma mãe permissiva já adianta ao filho que se ele tentar pedir mais uma vez ele pode conseguir o talvez, eu falo sobre o não que aterroriza, o nao enfático de mulher bem resolvida, esse eu conheço bem pouco e minhas neuroses nascem e morrem nessa culpa que prende minha respiração e que me dá insônia à noite.Consigo enxergar essa idéia que proponho agora como uma sanfona, como tem que ser toda coisa onde se admite o paradoxo, a limitação e uma pequena dose letal de incoerência. Não estou aqui nessa crônica, isso aqui é apenas uma tentativa. Não tento decifrar os homens porque essa mania está a cada dia mais inócua e infeliz. Eu apenas tento propor o ponto de interrogação. Se formos sintomáticas demais corremos o risco de nos ferirmos irremediavelmente no labirinto tonto dos dramas e das ações impensadas, mas se formos corretas e duras demais corremos o sério risco de nos achar sempre o que não é justo, porque perder-se, mergulhar nas possibilidades, é aí que está o grande mistério, aí está o cerne do que somos feitas, aí que está a fragilidade decodificada, aí que eles encontram as teorias descendo por água a baixo e a verdadeira unicidade feminina, o fantástico, a incompáravel certeza de que somos simplesmente essa mera existência de Amor, esse pontinho de verdade e beleza, sem projeções,sem culpas, sem cobranças e o mais importante, sem a insegurança que permite tanta polêmica. Eu particularmente estou longe de me encontrar mas ao mesmo tempo que temo em me perder para sempre continuo invísivel a olhos nus de homens que só sabem ver o óbvio. Se você for esse não se preocupe, eu posso estar sentada bem ao seu lado agora que você não vai me ver. e nâo é porque eu curto um cineminha noir e uma atitude blasé, mas porque eu ali sou só esse ponto, um quase nada brilhante invísivel ao previsível.

Rafaella Biasi que não tem certeza de nada, e ainda não descobriu como prefere seus ovos no café da manhã.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Bon Jovi - O primeiro cafajeste de nossas vidas






Quando fiquei sabendo que o Bon Jovi confirmou o único show no Brasil esse ano, confesso que minhas pernas de 13 anos de idade bambearam. Aquele friozinho na barriga próprio dos "putz vai rolar um flashback com ele". Sei que abandonei o Bon Jovi faz tempo, risquei ele da minha agenda e nunca mais liguei, mas fato é que ele me abandonou bem antes, fora as milhoes de decepçoes que sofri durante esses 15 anos de caso mal resolvido e choros no banheiro.
Ele me decepcionou primeiro em 94 quando crossroad nao era o cd que eu esperava, era so uma coletanea, mas aquelas duas faixas e os dois clipes na mtv me fariam perdoa-lo pela primeira vez.
Admito que nosso caso se firmou em 95, depois que eu conheci de cabo a rabo suas letras magoadas e de paixoes vãs, traições, patifarias e tudo que envolve um bom contexto para um bom cafajeste. E aquela nostalgia do que havia sido Bon Jovi antes de mim. Trilhas de faroeste chinfrim, blood on blood e as maos pedindo pra eu manter minha fé nele como em olhar albuns de fotografia de infância do namorado e morrer de vergonha dos idos 80. Três álbuns e o mesmo cabelo rídiculo. Quem nunca se sentiu traída quando always não foi pra sempre e aquele velho cachorro chutando nossos sonhos de eternidade? Aliás, o pra sempre foi o blefe mais ordinário que ele criou. Aí vem a mágoa depois daqueles dias. A partida dele eu nunca esqueci, muito menos a Demi Moore em Chelsea roubando uma cena ínfima do meu coração já estraçalhado. Porque quando ele dizia que estaria lá por mim eu esperava, quando eu soprava as velas de todos os 4 aniversários que fiz pensando nele. E havia chegado a minha vez, depois de ficar ouvindo a mesma ladainha, os mesmos acordes e a mesma batida eu decidi que iria deixá-lo. Fui e pensei que seria pra sempre. Passaram 15 anos desde a visita dele no Brasil, são 15 anos de amor mal resolvido, da imensa alegria de abrir o these days novinho e tentar traduzir todas as palavras que ele havia escrito, pra mim 14 cartas de amor ridigidas a meia luz e a mesma tristeza não contida toda vez que eu não podia gravar aquele programa que ia passar na mtv. E aquele do Faustão querido? Nunca vou esquecer, um misto de vergonha alheia e o último fiapo de esperança e eu já nao mantinha a mesma fé em você. Nosso caso chegou ao fim quando você botou o pé naquele palco, ou na malhação ou no programa imbecil do Serginho. Mas nao posso deixar de lembrar de 95 quando você cantou tão honestamente que estaria aqui por mim e eu lá acreditei em você e é por isso que eu estou aqui hoje esperando ansiosamente pelo dia 06 de outubro onde nos reencontraremos pra matar as saudades, pra rolar aquele flashback em bed of roses e para never say goodbye, você vai ficar aqui, ALWAYS...

Rafaella Biasi que nunca soube ser tiete porque amou demais e já está com o ingresso em mãos para o dia do reencontro.