quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Crônica dos achados e perdidos

Essa é a parte da minha vida que eu chamo de exílio. Minha casa é minha ilha de Elba, sento no meu sofá vou ler Neruda, e confesso que sobrevivi a minha luta. Essa é a parte de mim que está sozinha, e isso significa estar solteira e o que signifca mais, estar fatalizada por inúmeros clichês. Estar solteiro sempre me pareceu um pulo de um trampolim. E eu nunca gostei de trampolins, nem dos menores, me sinto rídicula pulando deles. E sempre me senti constrangida por estar solteira, e por isso sempre me entendi muito bem com minha neurose fatigada pela substituição de personagens afetivos e na minha testa sempre um bilhete "aqui jaz a eterna namoradinha". Porque é o que sempre fui. Os pequenos momentos de solidão foram por mim banalizados e pervertidos. Sabe aquela idéia frouxa de que sempre vale pela companhia? Seja qual for a companhia. Então eu estava sempre lá nessa eterna ciranda drumondiana. Rodando e rodando e rodando... Antes eu engolia o clichê, hoje eu o aceito. E as Cabírias que estão coigo seguindo esse circo sasbem bem do que estou falando. Do mais moderno aos mais clássicos. O ligar ou não ligar essa a questão, é a amiga que empresta aquele livro ótimo sobre como entender os homens pós-modernos, é o sex and the city e a bacia de brigadeiro, são as crônicas de Xico Sá.Talvez eu sempre tenha tido é medo disso tudo, medo de ficar só comigo, medo de não gostar de mim, de não descobrir como gosto dos meus ovos no café da manhã e mais medo ainda de ganhar um fora de mim memsa. Porque sejamos realistas e deliciosamente ordinárias, se não formos boas companhias para nós mesmas, quem mais vai ser né? Se um dia falaram que cartas de amor são rídiculas essa crônica talvez seja a maior besteira que eu já escrevi, porque você sabe,a única hora da vida que temos que fugir do clichê é ao criarmos uma idéia e ela tem que ser muito boa, muito convincente, tem que cutucar de alguma forma, e isso aqui só está me obrigando a a prender você na minha teia atual de ceticismo e senso comum. Essa é a parte que não me encontro, ou talvez pior, me encontre num hiato, cheia de dúvidas e incertezas, e isso causa mal estar pelas coisas que não foram, pelas coisas que insistem em regressar e pelas tantas outras que nunca vão ser. Experimenta sair na noite, sóbria, enxergar as pessoas com outros colírios nos olhos, estão todos muito cansados, os homens estão todos muito perdidos, mas verdade é que disso tudo eu já sabia. E quando nao vejo isso, eu vejo absolutamente nada. Estão todos estéreis e apegados a idéia de que somos loucas, psicopatas e esperando por eles em casa com coelhinhos fervendo na panela. Mas se vejo nisso tudo algo que possa relativizar a teoria talvez seja a percepção tão igualmente clichê de que eu esteja minimamente, num estado absoluto de carência e são igualmente idiotas os motivos pelos quais eu caio nessa merda toda. A culpa cristã de não ter sido boazinha o suficiente, de não ser a mulher mais agradável do mundo, ou a dificuldade arrasadora de dizer não para todos eles. Aquele não de uma mãe permissiva já adianta ao filho que se ele tentar pedir mais uma vez ele pode conseguir o talvez, eu falo sobre o não que aterroriza, o nao enfático de mulher bem resolvida, esse eu conheço bem pouco e minhas neuroses nascem e morrem nessa culpa que prende minha respiração e que me dá insônia à noite.Consigo enxergar essa idéia que proponho agora como uma sanfona, como tem que ser toda coisa onde se admite o paradoxo, a limitação e uma pequena dose letal de incoerência. Não estou aqui nessa crônica, isso aqui é apenas uma tentativa. Não tento decifrar os homens porque essa mania está a cada dia mais inócua e infeliz. Eu apenas tento propor o ponto de interrogação. Se formos sintomáticas demais corremos o risco de nos ferirmos irremediavelmente no labirinto tonto dos dramas e das ações impensadas, mas se formos corretas e duras demais corremos o sério risco de nos achar sempre o que não é justo, porque perder-se, mergulhar nas possibilidades, é aí que está o grande mistério, aí está o cerne do que somos feitas, aí que está a fragilidade decodificada, aí que eles encontram as teorias descendo por água a baixo e a verdadeira unicidade feminina, o fantástico, a incompáravel certeza de que somos simplesmente essa mera existência de Amor, esse pontinho de verdade e beleza, sem projeções,sem culpas, sem cobranças e o mais importante, sem a insegurança que permite tanta polêmica. Eu particularmente estou longe de me encontrar mas ao mesmo tempo que temo em me perder para sempre continuo invísivel a olhos nus de homens que só sabem ver o óbvio. Se você for esse não se preocupe, eu posso estar sentada bem ao seu lado agora que você não vai me ver. e nâo é porque eu curto um cineminha noir e uma atitude blasé, mas porque eu ali sou só esse ponto, um quase nada brilhante invísivel ao previsível.

Rafaella Biasi que não tem certeza de nada, e ainda não descobriu como prefere seus ovos no café da manhã.

2 comentários:

Selva Selva! disse...

e, por favor, quais sao as opçoes? pochê? mexidos? cozidos?
essa resposta só interessa quando achamos que um dia alguém via nos perguntar. tipo, aquele sonhozinho de café da manhã no dia seguinte. você, provisoriamente, vestida com a camisa dele... argh... que babaquice... quero saber quem inventou tudo isso...
será que a cleópatra ficava pensando nisso, perdendo tempo com esses sonhozinhos?
me dá logo um pão com manteiga mesmo!

Nessboglin disse...

Porque tneho achado todos eles cegos? Eles só querem ver o que estão acostumados, só mais do mesmo, sempre menos do óbvio e quase nunca nada do sensato.
Odeio essa falta de vida nas pessoas, essas conversas curtas, o alcool em excesso pra afastar os demônios diários, o apelo pela mesmice....
Estou a uma grama de desistir de amar.... amar tão fundo quando o mundo, amar e acompanhar.
Gélido.
Estou com preguiça das pessoas.
MAs eu amo vc, minha amiga querida.