sábado, 21 de agosto de 2010

Dos auto enganos até as pernas abertas

Você segue o fluxo porque a inércia das coisas insondáveis te permite a isso. Você chega com a mansidão das noites eternas, aquelas que terminam as seis da manhã na fila pro pão e olhos manchados. Você se permite tanto e se pergunta se não exagerou na dose, se você se propôs algum tipo de mal intratável ou se simplesmente você foi porque nao aguentava ficar parada. E essa estagnação nao tem mais o sentido das coisas alheias e abstratas a você, e os outros passam a ser gigantes de outra natureza e você passa a se importar, como o cientista que se importa com o monstro que criou. É aí que você falha, você é livre mas está mais dentro do que imaginava. Você é cético mas coisas sobrenaturais te atingem e você não pode escapar a elas. É quando você toma conta desse sentimento libertador que te faz ser menos encanada, ou menos neurótica ou até menos dramática. É quando isso acontece que o risco fica mais latente, Dorian Grey nao é mais Dorian Grey, é só um reflexo de uma alma jogada as traças. Correr o risco de assumir a liberdade dos sentidos, esse hedonismo de coca cola, enlatadinho e cheio de preconceitos e absurdo, correr esse risco é se propor ir até o último quinhão da existência enquanto carne que somos e dizer "sou eu aqui, dá pra entender???" É aceitar as coisas que reprovamos, cada blefe que suportamos, é reconhecer cada mentira que nos é contada (a todo minuto), é lidar com cada auto-engano que nos estica e nos faz abrir as pernas cada vez que aquela música toca perto de você e você se reconhece como a menor pessoa do mundo incapaz de dizer algo diferente de "eu gosto de você sabia?"Não ser afetado por isso é acreditar nessa mentirinha branca e aceitar que nao pode ser tão ruim assim abriras pernas para o desconhecido e assumir aquele sentimento mais sujo que temos, que guardamos e que resolvemos não mostrar pra ninguém simplesmente porque ninguém está afim de ver. E as máscaras cae, você descobre que o que tentava esconder estava bem mais próximo de todo mundo do que você podia supor.Como Dorian tentando esconder o quadroque mostrava o que tinha de mais vil e mortal nele. Que mostrava o que mais o feria e o arrebatava. E de novo, nesse vai e vem você encontra a liberdade e consegue sentir a clareza das coisas, a verdade imposta pelos quadros que nao dizem nada sobre eles mesmos mas que estão ali, voce nao precisa mais do propósito da arte, seja ela a sétima ou a primeira. Esse palco que a gente sobe todo dia pra mostrar ao mundo quem somos e porque somos assim, e a desafiar o propósito dos argumentos e a convencer a humanidade que temos coração puro e aquela centelha de amor do qual Ele está sempre nos convencendo de que possuímos. E aquele segredo sujinho? Sabe qual? A gente guarda para o próximo cair de máscaras, quando a gente sai do auto-engano de novo até o abrir das nossas pernas infinitas e aceita tudo como é. Sem mágoas ou culpas e com a mente aberta para a verdade que a gente conquista.

5 comentários:

Maiara Batalini disse...

Rafa, você me choca a cada vez.
Adorei o texto, as always.
beijos

Nina Salomé disse...

Vc com sua hemorragia dá vida às palavras e expõe a verve das vicissitudes da vida como ela é, a gente se expõe, se desnuda, e as vezes, ainda assim, não consegue passar mensagem nenhuma a ninguem, ou qdo se esconde atras de uma mascara linda e meticulosamente elaborada, não consegue mante-la no rosto por tempo hábil, e nossa caixa preta acaba sendo exposta num festival de horrores que tem platéia absurda e não pagante...
seu texto hj caiu como uma máscara pra mim, te leio.

mar e tiago disse...

mar voce gosta do tiago cado voce se beijão eu grinto eu ti amo mar é o tiago eu vejo 123 tenporanda eu amo voces sou carolina

mar e tiago disse...

eu ti amo

mar e tiago disse...

Você segue o fluxo porque a inércia das coisas insondáveis te permite a isso. Você chega com a mansidão das noites eternas, aquelas que terminam as seis da manhã na fila pro pão e olhos manchados. Você se permite tanto e se pergunta se não exagerou na dose, se você se propôs algum tipo de mal intratável ou se simplesmente você foi porque nao aguentava ficar parada. E essa estagnação nao tem mais o sentido das coisas alheias e abstratas a você, e os outros passam a ser gigantes de outra natureza e você passa a se importar, como o cientista que se importa com o monstro que criou. É aí que você falha, você é livre mas está mais dentro do que imaginava. Você é cético mas coisas sobrenaturais te atingem e você não pode escapar a elas. É quando você toma conta desse sentimento libertador que te faz ser menos encanada, ou menos neurótica ou até menos dramática. É quando isso acontece que o risco ficar