terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sobre estar sozinha

*wine and Brigdet Jones

Parenteses essencial: esse aqui eu descobri guardado com outros papéis, nunca tinha visto motivo pra postar mas citei Celine nele e tantas outras coisas que caem como uma luva para esse exato instante, vem logo ler porque o instante ja vai passar, viu? passou!


Reduzo essa parte nas palavras de Celine, em before sunset, envolta num cinismo necessário que escorrega por entre seus dedos dedilhando uma valsa feita para o amor perdido. Naquele mesmo corpo de matéria fictícia, porque você sabe, Celine também sou eu, e se você prestar atenção pode ser você também. Estar submersa de mim não é me encontrar, é estar ali em alguma anotação de um diário de 1995.Estar completamente sozinha no meu apartamento é estar à margem das outras coisas que abstraem e pervertem. Estar longe de você significa cada dia estar mais próxima daquilo que sou, que sempre esteve aqui, não penso em mais ninguém, mentira, se penso é para refletir o que venho sendo pra mim, se penso é para poder separar o joio do trigo, ou sou eu pura e simplesmente ou sou eu extensão de você. A paixão nao precisa ser híbrida,eu nasço porque você já existe. A paixão pode ser outra coisa, pode ser uma descoberta refutável, um ato vão, um querer apenas e um adorar mais. Amor? Esse fica alheio a qualquer significado, aqui nessas linhas o que poderia ser a metalinguagem para tal se transforma apenas em poeira daquele poema de limousines and eyelashes, porque aqui nao existe a tentativa de falar sobre, de dialogar, de exercer esses contatos de dor e necessidade. Amar dói e não é essa dor fininha que ataca o peito, é uma dor de partida, eu deixo de ser quem eu sou para ser o que tem de fictício e imaginário em mim, eu me torno verossímil a mim. Não é bem eu ali entrelaçando minhas mãos na dele,ou olhando de perto cada parte adorável das suas cosas, todas aquelas pintas decoradas. É como se não fosse eu, como se fosse essa tentativa de ser eu o amor que construo. E eu estou cansada de construir amores e ter que abandoná-los, e parte de mim morre a cada abandono, a cada rejeição, a cada decepção. Estar sozinha é conseguir isso tudo sem toda cobrança romântica, apenas com a razão simplista de que estou inteira e aqui ainda, beirando a loucura por estar muito dentro de mim mas sóbria ao perceber que não preciso da sua tentativa e que não preciso me doar tanto mais, nao preciso nascer de novo para corresponder qualquer expectativa. Estar sozinha significa estar absurdamente consciente de meus passos, e se vejo em alguma memória é só para que a forma dê espaço a imagem. Esse pensamento bonito mesmo de que eu apenas vivo sem saber quando tudo vai acabar, afinal quem sabe? Estar incomunicável ao amor. Se ele me chamar eu não vou. Mas fico aqui rabiscando esses post its na minha cabeça imaginando como seria, e escrevendo sobre ele, não é porque não amo que não posso falar como se amasse, porque parte de mim gosta de construir essa idéia, é aí que eu digo sempre que sou dessas românticas cretinas e absurdas. São nesses olhos que todos enxergam a beleza efêmera, essa não-Rafaella que provoca realidades imprevisíveis e fantasias sinceras. É preciso me apertar na urgência das coisas voláteis, é preciso me olhar e só, não é preciso muito, não sou essa expectativa que você cria, mas existo no seu pensamento, no seu ideal por muito mais tempo do que na rotina dos dias que estão passando por você. Decifra-me ou te devoro. Como já devorei tantos outros,todos os outros. O antídoto é sempre parte do próprio veneno... Para se ver livre, experimente em conta-gotas, todo o drop drop drop colorindo sua garganta novamente. Sou eu, sozinha, e você aí tendo que engolir né? Decifra-me ou drop it.

Rafaella Biasi que já não lembra mais de nada. Memória pra replicante ter.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Sobre os dragões do paraíso

Para Laís Castro.


Sabe aquele cara que você insiste em repetir que é só mais um cara mas quando você tropeça nele você é pega por um campo gravitacional de uma densidade incalculável e você se perde naqueles olhos que você também sabe que a terra há de comer mas por enquanto estão ali, uma jabuticaba que é o universo, um buraco negro, te arrastando e você vai - ser flutuante e com respiração parca - até que aquilo te consome num mísero décimo de segundo,você se vê entregue, talvez com todas aquelas perguntas e dúvidas sobre a teoria da relatividade que você não aprendeu sobre.Você sempre esteve envolta por coisas muito místicas, aquele lance de incenso e dragões mágicos dentro do apartamento, e receitas do mousse de maracujá que ele adora, os cds que ele deixou pra trás,as fotografias que você tirou quando ele estava por trás da camera e que ele nunca soube, o olhar mecânico... E você prepara tudo do mesmo jeito sempre, só para esperá-lo chegar. Você já sabe exatamente como vai ser, afinal essa repetição, esse pequeno vício que faz com que ele volte sempre (do verbo assombrar) vai lhe causar o mesmo arrebatamento, o mesmo sobressalto intranquilo,a única palavra que você sabe usar para explicar tudo isso - vertigem que é a vida - o buraco negro de novo vindo e vindo e vindo. Ele vai embora, porque todos os dragões vão embora e o seu não é nada diferente do dragão do Caio Fernando. E ele deixa os copos da sua casa suspensos, a toalha em cima da cama, o cheiro de incenso misturado ao do cigarro que ele fuma gentilmente perto de você, para não te acordar, antes de dar o até logo. Você vai lavar as sacadas e pintar as paredes numa tentativa convincente de que essa vida pequena, meio morte, não-vertigem continua, mas no canto da sala fica a prova de que ele sabe como voltar e ele sempre volta. E dentro do apartamento um outro tropeço e os brilhos eternos e mix tapes de vocês prontas para o ERASE, a inutilidade própria das coisas que nunca acabam.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Senta aqui no meu colinho

"Tarado é todo homem normal pego em flagrante" Nelson Rodrigues

Pensei que poderia falar de outras coisas, da minha parca vida afetiva e intelectual dos últimos dias, dos amores platônicos ou das frases feitas que comovem sem que possamos perceber, mas não. Acho que vou partir pra ignorância mesmo e falar sobre sexo. Não sem antes um copo de cerveja gelado por favor. Eu acho incrível isso da facilidade que temos de falar sobre essa arte e não outras, é como se Bunuel fosse realmente mais difícil de decifrar do que alguns códigos reais de conduta. E mulher fala mesmo sobre isso, quase o tempo todo. Eu pensava que a máxima "mulher tem que ser puta na cama e uma lady fora dela" fosse um daqueles conselhos que tia velha sempre dá para a sobrinha que está pra contrair matrimônio. Isso mesmo, como se fosse o antídoto pra aquela doencinha que ela está prestes a pegar. Mas aí o lance todo me bateu na cabeça como uma bigorna de desenho animado. Se nossa carne bruta já foi amaciada pelos ensinamentos do titio Nelson e estamos aqui mais vivas do que nunca porque o contrário não poderia existir? Se eu não sou mulher pra casar mas para uma boa refeição (de palitar os dentes na mesa) eu tenho a melhor das serventias porque o contrário também nao pode ser? Homem bom é homem cafajeste, algumas neuróticas concordam comigo (não faz essa carinha nao que eu sei que você concorda). Então porque vocês homens não podem aprender também? Homem bom é homem cafa na cama e gentleman fora dela. Tão simples. Por que essa insistência em dividir as condições. É o que? Falta de foco? Defict de atenção? Porque não sabem achar a porra da manteiga na geladeira? Qual foi o processo de evolução de vocês? Por que tem uns que sabem dar os tapas na bunda e outros não? São tantas perguntas sem resposta que eu até me perco nesse caldo feito de hipocrisia e mães controladoras. E eu assumo. Sou neurótica e gosto de cafajeste. Mas não é porque curtimos uma pequena, leve, indecente, e suja (obrigada novela das oito por estragar uma das melhores palavras que explicam o sexo) subjugação na cama a gente precise dela 24 horas por dia num relacionamento qualquer não é mesmo? Não é porque gostamos da perversão de motel que a gente gosta de ser enganada sadicamente. Não é mesmo? Não é porque tem gente que curte um chantily low fat no corpo do parceiro (so eighties) que temos que comer aquele bolo terrível de aniversário. Não é mesmo? É por isso que eu falo, se eu encontrar esse cara cafajeste na cama e que seja um gentleman fora dela, eu caso, it's going to be a match made in heaven AND hell.

Rafaella Biasi que está celibataria.
Casa de prostituição afetiva Florentino Ariza: realizando sonhos impossíveis.


owners: Biasi e Laís Castro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

primeiro dia do mês e eu não tenho nada a falar... triste.